quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Os sonhos cantados



Era uma bela e ensolarada manhã. O Sol estava presente, mas não fazia muito calor e era uma manhã de primavera. Então, nesse belo cenário, duas aves já anunciavam o início de um longo dia. Eram dois belos pássaros e eles estavam no topo de uma frondosa amendoeira. Então, um pardal e um bem-te-vi conversavam:
  • Que belo Sol, que céu azul - comentou o pardal.
  • Sim, pretendo ainda hoje chegar lá naquela montanha - completou o bem-te-vi, olhando ao longe.
  • É um pouco distante, mas voando com calma dá para chegar lá antes do Sol se pôr.
  • Com certeza. Logo estarei batendo minhas asas...
  • Para ti é mais fácil, uma vez que não possuis filhotes e nem uma companheira.
  • E por falar nisso, como vão seus filhos? - perguntou o bem-te-vi.
  • Estão lindos. Já estão voando alto, já são independentes e eu já sou vovô.
  • Parabéns! E você tem mais planos?
  • Muito além de planos, eu tenho sonhos. E você meu caro bem-te-vi, quais teus sonhos?
  • Olha... Não sei.
  • Mas como assim? - questionou o pardal - Todos nós temos um sonho.
  • Você tem algum sonho? Conte-me? - pediu o bem-te-vi.
  • Eu sonho em ter mais filhotes; sonho em poder voar mais alto; ter belos ninhos, cada vez mais confortáveis; cantar muito mais e, tão alto, que os pássaros possam ouvir-me além do horizonte. Sonho em não ser perseguido por aves maiores e manter uma relação fraterna com todas elas. Assim como nossa amizade - declarou o pardal. Sonho em poder dividir o espaço com todos os seres, vivendo juntos, em perfeita comunhão; que haja mais espaço para nós, tanto no céu, quanto na Terra, nas árvores e onde mais pudermos nos instalar. Ah, e que nossa espécie possa sobreviver se alimentando somente de frutas e folhas. Enfim…
  • Mas como assim? Quantos sonhos você tem! Como você consegue? Muita coisa… Esvazie-se um pouco mais. Sonhos podem se tornar pesos em nossas asas, nos impedindo de voar de maneira mais liberta, mais ousada diria.
  • Claro que não. Eu apenas sonho. E sonhar faz bem. Nos mantém vivos, ativos. Sonhar não dói, não faz mal. Eu acho que estou um pouquinho melhor que você em relação à esperança de vida, e a outras perspectivas, não? - cutucou o pardal.
  • Não senhor, senhor pardal! O fato de eu não sonhar com nada não quer dizer que eu não tenha esperança na vida, ou algum tesão por viver. Pelo contrário!
  • “Mas como assim”, eu quem lhe pergunto! Como pode viver sem sonhos?
  • Eu vivo e muito bem.
  • Mas você não sabe quais seus sonhos, muito menos o que você quer?
  • Não. Eu não sei o que eu sonho para minha vida. Mas eu sei o que eu não sonho. Eu tenho ciência das coisas que eu não gosto, das coisas que eu não devo. Eu conheço o que me faz mal e eu sei do que não me agrada. Eu me mantenho afastado de muitas coisas que não me alegram, que não me inspiram e que não me trazem felicidade. Eu procuro voar para bem longe dessas coisas. Meu canto não é para que seja ouvido ao longe e sim para que meu coração se regozije e, com isso, impulsione minhas asas. Logo, junto ao som do meu canto, vôo ao infinito, ao além. Portanto, concluindo, eu sei do que eu não gosto; eu sei do que eu não quero; tenho certeza das coisas que não me agradam e, essas coisas, também, me mantêm vivo e me fazem voar por aí, feliz e contente, me livrando dos fatídicos males que nos cercam.
  • Nossa! Não sei o que dizer meu velho amigo, bem-te-vi. A tua experiência me fascina e a cada dia, que me encontro contigo aqui todas as manhãs, me ensinas muito sobre a vida. Obrigado por abrir minha mente em relação às coisas que eu não venha a gostar e que não me fazem, ou que não farão bem. De repente essas coisas são quem devam prevalecer na minha vida e não as que venham a me agradar, como os sonhos que lhe contei. Obrigado por me orientar, mesmo que sem querer, meu amigo, bem-te-vi.
  • Não há de quê, meu jovem amigo pardal. Os teus sonhos são puros e belos. És digno de inspiração, também. Eu que lhe agradeço por, além de, manter-me firme na minha posição e de saber o que eu não gosto, também fazer-me ficar mais atento ao que eu possa vir a gostar e me apegar. Quem sabe eu não passe a sonhar daqui pra frente? E você a sonhar menos, a fim de dar espaços a novas percepções. Pois, quanto mais vazios, melhor recebemos inspirações e aprendizados. Sonhe menos, faça mais. Tente ver desta forma também. Assim o farei em relação aos sonhos que possam estar faltando sim em minha vida. Tudo deve-se ter equilíbrio não é? Como nossas asas: só com uma não voamos; uma maior que a outra, também não. Nos tornamos inúteis...
Os dois respiraram fundo, olharam um para o outro e com aquele sentimento de “até logo”, bateram asas e voaram até sumirem no horizonte, onde o azul do céu mesclava-se com verde da montanha ao longe...

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Um mundo


Vamos criar um mundo?
Ou melhor, um planeta?
O que podemos instituir em um segundo?
Quantas cores usaremos na paleta?
O ar, o fogo, o mar
Terra, água… Não importa a ordem
Não importa o sentido
O que primeiro criar?
Basta apenas sonhar
Como a primeira vez de um arco-íris
a inédita palavra dita
ou do inesquecível primeiro beijo
Deixe este mundo eclodir
Deixe o que há de mais belo brilhar
Sinta o aroma doce no ar
Seguremos nas mãos da natureza
Assim eliminando toda a tristeza
Explícito é o anseio do novo mundo brotar
Ouça o silêncio; sinta a fragrância
Aprecie as cores, o verde em abundância
O cinza, o preto, o branco também.
À ausência de som, adicionaremos tons
Maiores, menores; sustenidos, bemóis
Intervalos consonantes, dissonantes
Alguns lentos como raios, outros rápidos como caracóis
A gravidade não será necessária
Nosso planeta será somente um adereço
Iremos voar junto ao mar
Caminhando, às nuvens tocar
Moldá-las, desenhá-las como quisermos
Voaremos nadando
Nadaremos voando
Não importa a ordem
O caos é bem-vindo
Tudo que desce, sobe (e não o contrário)
Não faremos políticas
Nossa terra não semeará prisões
Haverá jardins de flores pacíficas
Assim não colheremos corrupções
Não seremos subversivos
Sem religião, porém com fé
Sem mitos, sem deuses
Sem amém ou axé
Tendo uns aos outros desde já
a fraternidade não tardará
Não haverá ódio, nem frio ou calor
Contudo faremos um imponente Sol,
o mistério da Lua, além de muito amor
Nada terá valor, somente o abstrato
Sem dinheiro, nem capital
Haveres, só intelectual
Não poderemos ter relógios
Se não, faremos um mundo precipitado
Eterna será a construção do nosso habitat
A partir de agora até o…
Fim

sábado, 21 de outubro de 2017

O eterno novo

Hoje eu morri
Eu estava tão bem morto e…
Nasci de novo
Estava tão bem vivo e…
Morri. Mas agora mais novo
A eterna rotina se repete
Ora velho, ora mais jovem
Mas a morte e a vida não me esquecem
Mal dá tempo de sorrir
Basta me deitar e dizer: morri
E o peso de toda uma vida, horas depois, ao se levantar?
É de chorar!
Encarar todo um dia exigente
Para mais tarde morrer novamente
Nascer, morrer…
Essa brincadeira com meu ser num “eterno idêntico”
Porém novo a cada dia, numa expressa temporalidade
A eternidade é marcada por eras, acontecimentos, prazeres ou lamentos, também vazios, ou “nadas”; já a vida é separada por uma noite bem dormida ou uma manhã mal acordada.
A gente morre ou dorme?
Acorda ou ressuscita?
O que é na verdade a vida nesse ‘eterno novo’ e o nosso despertar na eterna rotina?

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Que raios é Marxismo? Por M. Flaquer


Afinal o que é o Marxismo?

Para compreender o que é o marxismo, é primeiro preciso compreender o que é a dialética e o que é o materialismo.
Dialética é, filosoficamente falando, o movimento. O movimento da matéria (por exemplo o movimento do mundo, do universo, dos átomos), enfim, algo, qualquer coisa, só existe por conta do movimento. 
O que é então essa dialética? É a dúbia forma, de essência contraditória, com as quais as coisas se apresentam. Ou seja, significa que tudo o que existe possuí uma forma difusa, dupla, contraditória e uma essência que pode vir a ser igualmente dúbia/difusa ou contraditória. Como, por exemplo, a luz.

A luz é dúbia em forma, ela se apresenta como onda e como particula, ao mesmo tempo. E, em sua essência, podemos dizer que ela é o contrário da escuridão.

Darwin, considera os peixes de acordo com a dialética: alguns dos animais que viviam na água não eram peixes e alguns dos peixes tinham pernas, mas, na verdade, isso era somente a gênese de todos os animais como parte de um processo interconectado que explica a natureza de um peixe: Eles vieram de algo e estão evoluindo para outra coisa.
Darwin foi além da aparência do peixe para chegar à sua essência. Para o pensamento anterior não havia diferença entre a aparecia de uma coisa e sua essência, mas para a dialética a forma e o conteúdo de algo podem ser bastante contraditórios.

O materialismo é, entre outras coisas, a maneira com a qual as coisas se apresentam, ou seja, o materialismo é a corrente de pensamento que diz, ao contrário da corrente idealista, que primeiro existe a matéria e depois existe o pensamento.

Agora, com esses dois conceitos mais claros, podemos adentrar no campo do marxismo, mais específicamente do materialismo-histórico.

O materialismo-histórico é a maneira qual se analisa a história. Um bom exemplo de como se utiliza o materialismo-histórico a partir da analise da luta de classes.

A humanidade, desde o começo dos primeiros meios de produção, se organiza em classes. A história de toda a sociedade até aqui é a história de lutas de classes.

"Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, burgueses de corporação e oficial, em suma, opressores e oprimidos, estiveram em constante oposição uns aos outros, travaram uma luta ininterrupta, ora oculta ora aberta, uma luta que de cada vez acabou por uma reconfiguração revolucionária de toda a sociedade ou pelo declínio comum das classes em luta."¹

Uma vez apontada a luta de classes e a dialética, devemos tratar de outros dois conceitos essenciais, a infraestrutura e a super-estrutura.

Para falar dos dois, coloquei uma imagem que melhor as exemplifica, mas em miúdos a infra estrutura é a maneira com a qual uma sociedade produz e de quem é a produção e o excedente de produção dessa sociedade. A super-estrutura, por sua vez é tudo aquilo que permeia a sociedade, ou seja, tudo aquilo que existe além da produção de uma sociedade, como, por exemplo a ideologia dominante.

Hoje, na verdade a mais de 180 anos, vivemos sob o capitalismo, digo isso no sentido de que hoje vivemos em um mundo onde, majoritariamente a propriedade é privada e a apropriação do excedente de trabalho se dá pelo capitalista, ou seja, pelo burguês. A sociedade, em geral, não absorve nada do excedente de trabalho da própria sociedade, quem absorve é o burguês. Então o burguês é quem determina como a sociedade vai se organizar, ou seja, o burguês implementa a sua própria ideologia.

Essa apropriação do produto social do trabalho se dá por conta da sua caracteristica privada dos meios de produção. Ou seja, o resultado da produção, o produto é algo de caracteristica social, é algo que, em essência, deveria pertencer a toda a sociedade. Porém as ferramentas, os meios para a produção desse produto são privadas. Isso ocasiona na expropriação do produto social pela burguesia, ou seja, naquilo que é chamado de "mais-valia".

Uma ideologia é, em essência, a maneira com a qual as pessoas são orientadas a pensar. Na nossa sociedade o nome da ideologia implementada pela burguesia é "Neo-liberalismo", qual é uma ideologia voltada a maximação do lucro, pelo capitalista, em prol do empobrecimento, marginalização e afins, das pessoas quais não servem ao capitalista.

O Neo-liberalismo também tem, como objetivo, promover, de maneira praticamente descarada, o fetichismo da mercadoria, ou seja, em promover certas marcas, ou produtos, para que o seu preço (e não seu valor) seja o mais alto possível, para que alguns objetos, ou afins, se tornem "sonhos de consumo" e, assim, levem as pessoas a deseja-los.

Explicadas essas coisas, agora precisamos falar sobre como se dão as relações pessoais. Como já falei antes, o pensamento é póstumo à matéria e a materia, ou a natureza, é, por sua vez, tranformada pelo homem, então o resultado do trabalho do homem vai, em geral, transformar a relação do homem, com o próprio homem, uma vez que a materia da qual o pensamento se baseia se alterou.

Vou dar um exemplo (bem craso e de um produto já feito, porém existe ainda um trabalho e um resultado que altera o estado original das coisas): Uma mulher tem uma filha; essa mulher gosta de usar maquiagens para sair, isso a deixa feliz. Um dia sua filha vê sua mãe se arrumando para sair, sua mãe gasta um tempo se maquiando, escolhendo sua roupa e etc, com tudo pronto, ela se olha no espelho: está feliz. Sua filha, então, assim que sua mãe deixa as maquiagens a seu alcance vai até elas e se maqueia, até que se sente feliz.

A infraestrutra e a super-estrutura influenciam a todos que existem dentro de sua lógica, dentro de seu sistema. Nós, marxistas, ou não, somos todos vítimas do nosso pensamento guia, estejamos nós conscientes dele, ou não. Não existe, dentro da infraestrutra, qualquer pessoa que consiga se livrar 100% do pensamento pelo qual ela foi condicionada a vida toda. A única maneira de se livrar disso é alterando a infraestrutura.

A única maneira, até hoje, que conseguiu efetivamente alterar a infraestrutura foi a socialista cientifica, ou seja, o marxismo. O Marxismo é a única maneira de se livrar do racismo, de se livrar da opressão da mulher, de se livrar da propriedade privada, do neo-liberalismo e todos seus tentáculos.

Se você quiser saber mais, ler mais livros, com mais dados, de diversos autores, sobre o porque de escolher o Marxismo, por que a luta marxista é a única real luta que pode libertar todos e, principalmente, por que somente ao libertar todos, indepente de raça, credo ou sexo, é a única maneira de ser livre, entre no nosso grupo: facebook.com/groups/um.marxista

1 - Karl Marx - "O manifesto do partido comunista" (versão: https://www.marxists.org/portugues/marx/1848/ManifestoDoPartidoComunista/index.htm)

Texto: Afinal o que é o marxismo

domingo, 15 de outubro de 2017

É o que convém



1 Um carro, com maior equipamento sonoro, passa tocando música, no último volume;

2 Essa música é de um gênero muito popular;

3 Eu só aprecio música erudita, ou sacra.

Julgo poluição sonora, o episódeo com o automóvel.
---

4 Os vizinhos gritam e xingam, quando o seu time ganha;

5 Esse time é muito popular no país;

6 Eu mal acompanho futebol. Simpatizo por um time interior, mal tem torcida.

Julgo inconvenientes/ estúpidos, os meus vizinhos, no que diz respeito ao futebol.
---

7 Oração da família, antes de fazer a refeição e/ou antes de ir dormir;

8 Essa religião é a maior do ocidente;

9 Eu sou pagão.

Julgo antiéticos, os familiares. Faltam com respeito ao próximo.
---

10 Um grupo agride, vocifera, condena, violenta, quando lê/ assiste a algum comentário político-filosófico que não segue sua ideologia;

11 A oposição a esse grupo é muito expressiva, muito antiga e está espalhada mundo afora;

12 Eu odeio política, acho que o mundo seria liberto de grandes males não fossem estas frentes ortodoxas.

Eu morri queimado. Um grupo me executou devido ao julgamento do outro.
---

Existem coisas que a mim interessam também. 
Porém, eu me senti "oprimido" no exemplo
Mas nada pode me impedir de ir além.
De vir a ser um "opressor" em qualquer momento. 
Falta-me oportunidades.
O mundo é aquele que, a mim, convém.

Afinal, eu sou o centro do universo, 
O mundo gira em torno de minha cabeça. 
Sou o correto, sou o reverso.
Dos pensamentos tristes, mas das palavras belas.
Cuidemo-nos, pois não haverá espaço para tanta opressão na Terra.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Vamos, vamos, corre!!!!

O expresso, rápido, a jato, instantâneo, agora, na hora, já... São palavras que soam tão bem, não é? Esperar, aguardar, devagar, lento (pejorativamente chamado de lerdo) e calma, já soam incômodo.

Não se tem tempo para cozinhar uma boa comida na panela (já se faz comida em 3 minutos), imagine ESPERAR um grande amor? (pior que há app’s para ACELERAR esse processo rs); o que ESPERAR do próximo, se HOJE, tudo é EXPRESSO, é FUGAZ?

PONTUALIDADE faz bem, é prazeroso. Mas... Para que RELÓGIO, se a pessoa for livre? Um encontro, ATRASO? Compromisso? Cada MINUTO vale ouro, não é? É mais uma questão de respeito ao próximo, para que este não fique ESPERANDO a sua chegada. Mas ao ESPERAR, a pessoa pode fazer, pensar, outras coisas… Por que não?

Estamos inseridos numa sociedade, numa cultura, em que tudo é resolvido pelo dinheiro (isso é mais do que óbvio, sempre foi assim). Realmente, TEMPO é dinheiro. Mas pense naquele que é desprovido dessa gana, que está longe desse grande mal que é o mercado, que exige a moeda, o dinheiro?

Desejo, requer esforço, requer CORRIDA contra o TEMPO. Ninguém deseja alguma coisa para daqui a 5, 17, 32 anos. Não se sabe ESPERAR um almoço (vide fast food, miojo), não se ESPERAM um amor, imagina algo para daqui à dezena de anos? Queremos para AGORA. O quanto antes. O mundo está ACELERADO por demais e tende a piorar.

O TEMPO que NÃO PASSAMOS juntos, é recompensado com alguns tipos de agrados, ou PEQUENOS gestos. Gestos muito RÁPIDOS, EXPRESSOS. Quase não marcam, quase não se ETERNIZAM. São raros…

Eu tenho um sonho: destruir o relógio. O TEMPO é um fenômeno, eu o respeito. O TEMPO É ETERNO. E como dizia o poeta Renato Russo: “O INFINITO é realmente, um dos deuses mais lindos…” Este não é um malfeitor na nossa vida. Claro que não. Mas o RELÓGIO, e a nossa "cultura da PRESSA”, é quem está matando a nós mesmos.

Podemos apontar o dono disso tudo: a indústria e a mídia. O controle sobre nós. Cada TEMPO que possamos dar-lhes ATENÇÃO, é para eles, ótimo. A novela tem HORA certa, o filme, o esporte. Somos dependentes desses HORÁRIOS. Existe hora para ver filme? Existe, de coração, HORA para se ver um programa na TV? Ou existe você? Você é a PRIORIDADE. Você é o valor, e o TEMPO. Você É! Destrua a TV e o relógio, serás feliz.

Ouve-se muito e, se vê também, a frase “faça você mesmo”, “com apenas um toque”, “não é necessário nenhum esforço”, geralmente são produtos ou alguma coisa para ser feita no lar, etc. Você GANHA TEMPO no lar, fica MENOS TEMPO, faz MENOS ESFORÇO em casa, para que, na rua, no comércio, ou no fast food, no shopping você se esqueça que existe RELÓGIO. Com isso, você, inconscientemente, esquece que existe vida, que existe natureza, que existe um mundo natural, não feito por homens, indústria ou TV, lá fora.

O trabalho também APRISIONA-te no TEMPO. No trabalho, o RELÓGIO só gira em favor do patrão. Não há liberdade; não há LIMITES. O TEMPO que ficares na empresa, no escritório, é maravilhoso para quem contabiliza suas cifras em cima de ti. O DEVAGAR, pode ser um grande aliado à PRESSA. É surreal, mas é compreensível. Podes realizar uma produção em 2 SEGUNDOS, mas que seu DIA na firma seja de mais de DOZE HORAS. Portanto, “não tenhas PRESSA! Podeis sair daqui a HORA que quiserdes, mas CORRAM com este trabalho”...

NÃO ESTOU COM PRESSA EM ACABAR ESSE TEXTO. QUANDO EU QUISER, DAREI CONTINUIDADE.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Vamos perguntar à arte?

Uma das coisas que li recentemente e que, mudou minha vida, foi uma coisa muito simples e de poucas palavras: “Só o ser humano produz cultura”. Resumindo ai, bem superficialmente, assim que li a palavra “cultura”, esta, de pronto, me remeteu à arte. Sempre tive em mente, que arte e cultura eram a mesma coisa. Mas há uma diferença grande entre a arte e a cultura. Uma está inserida em outra, de fato. Mas eu gostaria de me limitar, bem mesmo, somente à arte. O meu primeiro questionamento, ou uma forma filosófica de se pensar arte, foi esta:

A arte tem o poder de:
Um: À vida, imprimir a morte;
Dois: Dar à morte, vida.
  1. Um quadro de Cézanne.
1. Alguém pode me dizer se a Monalisa (“Mona Lisa del Giocondo”, obra de Leonardo da Vinci, 1503) está viva naquele quadro? Se sim (quem iria pensar nisso? Mas tudo bem...), ela pensa, ela fala, respira, cria alguma coisa?
2. E as frutas, de Cézanne, na pintura “Still life, Jug and Fruits”, 1893-1894, elas não são tão reais, que queremos pegá-las e comê-las? Com alguns pincéis e poucas tintas, os crânios em “The Three Skulls”, 1900, do mesmo pintor, não são tão reais que amedrontam?

Arte… O que nos enxergamos como arte, afinal?

E o nu, que tem causado asco, recentemente. A nudez que agride e ofende a alguns. Mas nudez é uma forma de expor o corpo humano. Ou melhor, a nudez é nossa primeira natureza. A natureza do nosso físico, a matéria. O que leva à sociedade pensar que o nu é ofensa, ou pornográfico? O que está educando a essa sociedade, quem educa a quem, a ponto desse povo temer a nudez?

Arte… Porque tememos-na tanto?

As “revistas masculinas”, são as mais vendidas das bancas de jornais. Há nudez. Porém há apreciação. “O corpo nu, é belo!” - há quem o diga. Há quem colecione estas revistas. Seria erotismo, pornografia, ou apenas fotografia de um corpo desnudo?
Quem vê esta arte, tem a mesma intenção ou, interação, do artista que tirou tais fotografias e também da pessoa que cedeu seu corpo para tal?

A arte então seria um meio para se ofender, agredir ao próximo? Ou, a arte é como a justiça, cega. E não vê a quem, apenas é?
A arte apenas fica exposta e quem a traduz, quem a percebe e define, são as pessoas? Quais tipos de pessoas?

Quem nunca viu arte, está preparado, vamos assim dizer, para receber as primeiras impressões de uma música barulhenta, um objeto retorcido, ou um quadro surrealista, ou até mesmo um corpo nu, sem expressões?

A arte deve ser controlada, censurada, e ter somente uma intenção? Quem iria definir e controlar sua intenção, e sua exposição?

Seria uma ciência, os filósofos estudiosos no assunto? Ou seria o povo, todo e qualquer cidadão?

De quem é a arte, para quem é a arte?

Caso a população decida julgar o que é arte de fato, esta poderia estar de forma justa, definindo a arte somente, ou os seus traumas, seus pavores, suas afeições, seus preconceitos, seus costumes e suas morais, estariam embutidas nas críticas artísticas?

Qual sociedade estaria olhando para a arte? A dominada ou a dominante (elite)?

O que seria a arte, para uma sociedade cujo o controle é de uma classe que vive no topo do sistema financeiro-econômico? O que é arte, para aqueles que são a base dessa pirâmide, que subsistem nesse sistema?

E também, a posição política influi na arte? Uma pessoa extremamente conservadora, contrária à mudanças, vê uma pintura surrealista, ou ouve uma música contemporânea, da mesma forma que uma pessoa liberal, excêntrica?

Uma vertente política pode se apropriar da arte em si? A arte pertence a um grupo da política, dita de “direita”, ou a arte é da “esquerda”? Se sim, quem faz o que? Quem expõe o que ao público? Qual público? Com intuito apenas político, ou um forma de doutrina?

A arte é gosto?
A arte é apenas um olhar?
Arte é qualquer coisa, um objeto exposto?
Arte é perfeição, uma obra que devemos amar?

Um risco, à lápis, azul, numa folha perfeitamente branca, pode ser considerado arte? E esse risco, multiplicado por mil, numa tela, com outras cores em harmonia, pode-se considerar arte? Por exemplo, Catedral de Rouen, de Claude Monet e outra pintura da mesma catedral. Mas estes exemplos, aos olhos de quem? Da elite, uma classe dominante, ou de um simples cidadão?

Esses olhares dependem da cultura de cada povo, ou a arte é a mesma tanto para um siberiano, quanto para um parisiense? Ou melhor, o que é arte para um siberiano, e o que é arte para um parisiense? Tente visualizar onde vivem, as peculiaridades de cada sociedade, tanto da siberiana, quanto da parisiense. E o que eles produzem, o que vêem e o que ouvem...

E uma música, cuja sinfonia instrumental soa serenamente, é melhor do que uma música eletrófona, quase sem nenhuma pausa perceptível? A música é feita de sons e silêncio, notas músicas com suas devidas alturas e pausas, basicamente. E se uma pessoa qualquer se deparar com 4 minutos e 33 segundos de silêncio, isso poderá ser classificado como música? Sugere-se então que se ouça, ou busque informações sobre a música (sim, uma música), 4’33”, do compositor e maestro, John Cage. A música possui partitura, há  apresentações e houve, pelo autor, a gravação da mesma. Então, a pergunta retorna: silêncio é música? Ou melhor: existe realmente, àquele que possui a faculdade da audição, o silêncio? Por mais que a 4’33” seja executada somente com pausas, ainda assim deixamos de ouvir as coisas ao nosso redor? Esta obra, de John Cage, deve ser considerada arte?
E por falar em música, o instrumento musical, além de produzir sons maravilhosos, (ou não), pode ser considerado, materialmente, uma obra de arte? Um Violino, sem produzir som, em repouso numa prateleira, por exemplo; sua madeira, suas medidas, os cortes, cada detalhe, visualmente é uma obra artística?

Seria obra de arte, um instrumento musical, para quem nunca o tivesse visto antes? Mesmo não sabendo sua utilidade? Se sim, um instrumento musical, que não produz música, pode imprimir arte àquele que o observa?

Retornando à 4’33”, de John Cage, todo o conjunto da obra, todo ambiente, um lindo piano de cauda, traje a rigor, uma sala de espetáculos, e claro, espectadores, mas a produção artística seria apenas o silêncio; um piano lindíssimo, relativamente, um objeto caro, projetado naquele momento para não produzir som nenhum, seria considerado um espetáculo visual, e arte, no que se refere a música?

Uma questão também muito importante, que devemos tratar junto a arte, é sobre alguém que tenha perda severa/ profunda de audição, não consegue ouvir música, obviamente. (Mas não se deve julgar ou muito menos impedir àqueles que possuem surdez de ir a um espetáculo musical, ou um simples show de rock, não é?) Então, como os ouvintes, entendem que o surdo está “ouvindo música”? Geralmente quem está produzindo música, é ouvinte, um tanto óbvio isso. Mas apesar de o surdo não ouvir, eles possuem outros sentidos também. Muitos surdos exprimem o entendimento da música através de luzes rítmicas, ou simplesmente pelo deslocamento do ar, causado pelas caixas de som, ou pelas “peles” dos bumbos, ou instrumentos de percussão qualquer.

A arte é limitada? A arte é apenas para alguns? A arte apenas é “alguma coisa” e, nós, que a percebemos, que a fazemos e, a entendemos, à nossa maneira?

Uma coisa importante e interessante a ser feita, em relação às simples perguntas sobre a arte e demais assuntos que permeia a isso tudo, é, no momento em que se obtém a resposta, pensar também em algo inverso, antagônico, literalmente. A arte não deve ser pensada somente numa direção, ou em favor dos ventos. Não! Ela deve atingir a tudo e a todos, de diversas maneiras. Devemos pensar em arte, mas acima de tudo observar; puramente, “cegamente”, livre de todo preconceitos e pré-julgamentos; não se deixar levar por um belo sentimento, a priori, e nem levar, ainda a priori, nenhuma má impressão. Arte é complexa? Muito mais complexa àquele que a observa, ou o seu observador que é complexo diante de um objeto simples de observação?

Eis a arte… Ela é, e não é ao mesmo tempo. Transcende, transforma, destrói, deforma. Uma coisa se sabe sobre a arte em geral: ela causa. Disso todos temos certeza. A arte existe, ela está ai desde tempos remotos, até hoje. A cada minuto. Arte, seja ela abstrata ou, tão material e real como a nossa própria vida, é, existe. Basta que tenhamos nossos sentidos para percebê-la.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O poder que eu quero

Eu queria poder;
eu queria ao menos querer;
Quando não posso, eu quero,
quando quero, não posso.
O poder, só a um é dado.
E o querer, é inexplicavelmente caro.
Este é o poder/ querer físico, material...
Um ser espiritualizado, nega a isso facilmente.
Poder, querer…
Pensar, fazer…
A tudo, posso.
A tudo, quero.
Finalizar a obra antes do esboço.
Contar todas as estrelas sem sair do zero.
O poder do pensamento.
O querer imediato.
O pensar que sucede um sentimento.
A práxis que transcende o abstrato.
Quero andar para trás, olhando para frente;
dormir em pé, acordar deitado;
tomar banho de Sol e me secar na chuva.
Não só existe o querer, mas também, o poder.
Eu quero tudo,
eu posso tudo:
Fazer das flores, minhas palavras,
espantar todos os males do mundo.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A busca do rigor e o estilo

A busca do rigor e o estilo.

“Os discursos que determinam o estatuto e o objeto das artes não são unânimes nem constantes. Sua segurança enquanto critério de julgamento já pode ser, num primeiro tempo, questionada: eles podem ser contraditórios tanto na atribuição do estatuto da arte quanto na determinação da hierarquia”. (COLI, JORGE. O que é arte. Ed. Brasiliense: Sao Paulo, 1995).
Há de fato, uma noção, em certas obras, seja cinematográfica, seja musical, ou visual, de permanência de estilo, ou padrão e há também uma notória evolução ou, qualquer modificação, no trabalho de algum artista. Cada qual possui suas peculiaridades, seus estilos e, por gosto, tradição ou orgulho, os mantém até o fim. Há outros que naturalmente mudam suas linhas, suas percepções, mas isso não pode ser visto sempre como ruim ou, em contra partida, como algo evolutivo. É uma situação neutra. Alguém que foi se deixando levar pelo tempo, por sua era, ou influência de novos artistas.
Sobre a citação de Jorge Coli, há de se concordar que o julgamento na arte pode ser contraditório e pecaminoso na questão hierárquica. Então a crítica, ou algum critério de julgamento, também deve ponderar ao que é permanente, ou o que veio a ser um ato contínuo, harmonioso, que deu luz à uma grande novidade. Há sempre dois viés que precisam ser analisados com minúcia. É algo um tanto paradoxal, pois a arte se define, digo superficialmente, em manifestação/ expressão da subjetividade humana, ou pode-se dizer, uma atividade realizada de forma consciente, controlada e que seja coerente, racional. Tudo bem que não é qualquer coisa que pode ser tida como arte, mas o que pode ser considerado arte? O belo, o perfeito, o agradável? Por isso esse complexo em dizer que tal obra é melhor que outra, ou mais bonita; que o trabalho de um artista é pobre em detalhes etc. Mas ainda assim belo ou não, não a arte não seria a expressão da cultura, a imaginação humana que ganha forma?
No exemplo da arte cinematográfica, temos filmes de alguns diretores que trazem suas marcas registradas. Jorge Coli cita Alfred Hitchcock. O diretor possui estilos próprios em seus filmes. Elementos que são suficientes que não nos deixa dúvidas sobre seus trabalhos: “esta obra é de Hitchcock”. Enquadramentos, música, atmosfera, etc. O mesmo se dá com outro diretor que, particularmente, aprecio muito: Woody Allen. Seus filmes são carregados de diálogos, muitas críticas, psicanálise e cotidiano; outro ponto que é sobre uma questão mais técnica: há um estilo de filmagem que só ele possui. É sua “identidade visual” (estilo). Sabe-se de cara que o filme é de Woody Allen. Há filmes em preto/branco, outros “carregados” em sépia; os cenários, por ele escolhido (marca registrada), romantizam qualquer situação, além do estilo de comédia que também é de praxe (e, diga-se de passagem, seus filmes ficam melhores à medida que ele envelhece). E o que falar da “fotografia”, ou as cores do cinema de Almodóvar? Todos testes diretores têm seu brilho, seu aspecto, mas nem por isso, um é melhor que o outro. São apenas visões de mundo, do abstrato, ou de uma sociedade, de um indivíduo, de formas diferentes.
Apesar das marcas diversas deixadas por cada diretor, há neles também um amadurecimento, uma evolução, conforme o tempo vai passando. Isso é natural. Todos nós, enchemos-nos de informações. O mundo a cada dia, parece uma máquina de fazer novidades, criar coisas e situações novas. Não há como parar no tempo. Se não pode considerar evolução, pode se dizer que seja uma inspiração, um propósito maior, que tenha levado o artista a experimentar um estilo diferente, que tenham deixado suas “marcas” de lado.
Além da citação no primeiro parágrafo deste texto, há outra importância sobre um trecho de Jorge Coli, na página 24, que é o fato de uma obra ser tida como melhor que a outra, eis: “além disso, a própria idéia de critério aparece como um esquema que perturba nossa aproximação da arte. Sabedores de que Calixto é menor do que Leonardo, dispomo-nos sumariamente a exaltar o segundo e a menosprezar o primeiro”. Diz mais adiante o autor, sobre o discurso da arte crítica, que esta carece objetividade. Com isso a crítica em si, ou até os apreciadores da arte em geral, buscam, frequentemente, por um rigor de estilos. Isso pode engessar a arte, ou a crítica que se faz dela.
Mudando o foco agora para a música, a presença de estilo, ou dessa insistência em alguma peculiaridade, se torna mais fiel. Exemplo, uma banda de rock, ou um trio musical regional, um compositor de samba, costumam manter seus estilos até o fim. A inconfundível guitarra de Carlos Santana, e também de Pepeu Gomes; o acordeão de Luiz Gonzaga, o rei do baião; o violão no samba de Agenor de Oliveira, Cartola. Mas não podemos dizer o mesmo do maestro Villa Lobos, que atravessou períodos diversos do país, inclusive regiões do país, onde a cultura era distinta uma da outra, e escreveu obras desde o modernismo, impressionismo até o popular, chorinho e samba. Desta forma que é dada a existência do estilo.
E por falar em estilo, de onde ele surge? Foi inspirado, ou serviu como inspiração? Pode-se dizer que Villa Lobos, se inspirou em algum compositor clássico, ou sua genialidade (que é fato), nasceu consigo? Luiz Gonzaga e o mestre Cartola, por exemplo, não tinham noção nenhuma de teoria musical, este último, mal sabia afinar seu violão. Foi através de Villa-Lobos que, então, Cartola passou a afinar seu instrumento através de um diapasão. A composição de obras tão lindas, letras tão sublimes e melodias, harmonias tão doces. Como pode, sendo que este homem só tinha concluído a antiga primeira série? E além disso, Cartola não sabia afinar um violão? Não! Ele não sabia. O sr. Aluísio Dias (1911 - 1991), violonista e compositor da velha guarda da Mangueira, cita uma situação entre Cartola e Villa-Lobos, reforçando a falta de conhecimento teórico do artista do morro da Mangueira, em (PAZ, Ermelinda Azevedo. Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira. Uma visão sem preconceito. Rio de Janeiro, Arte & Cultura Produções LTDA., 2004. 1ª edição, pág 84):
[...] O maestro aceitava o Cartola como era e admirava muito suas músicas. Ele ouvia o Cartola e dizia: ‘Mas como é que pode, às vezes está tudo errado, mas é tão bonito.
Como Cartola sabia que estava bela, a sua canção? De onde vinha seu estilo? Realmente, há inspiração, há uma série de apanhados de estilos, que podem se mesclar num só. Seria o caso de Cartola, e/ou Luiz Gonzaga?
O estilo, portanto, deve ser algo imutável? Ou mesmo que não se queira, ele se altera naturalmente com as épocas, com as culturas? É algo que se deve considerar.  E é bom lembrar, Jorge Coli, novamente, na página 28, “...a obra de arte não se reduz ao estilo”.
Gostaria de expressar um fato pessoal, e apesar de não ser nada formal, ou profissional, nem de nenhuma excelência, mas na questão da composição (arte escrita), e visual (a pintura, desenho), eu, particularmente, por experiência, não obtive nenhuma influência artística, tanto para escrever, quanto para desenhar. Seria uma influência metassensível, ou metafísica, segundo Platão?
Um profissional, amigo meu, desenhista, disse que minha “técnica”, ou “estilo”, seria a de “desenho acadêmico”. Eu nunca soube o que era este estilo. Há pouco tempo uma amiga pediu sua caricatura, eu não soube fazer, então a desenhei no “meu jeito”, e ela como já tinha noção de desenhos, à mão livre, me disse: “fizeste um desenho artístico. Podes se dedicar ao realismo, terás excelentes resultados”.
Eu possuo um estilo. Isso é fato. Mas será que amanhã, ou depois, conseguirei realizar um estilo diferente de desenho? Com treino, sim. Mas serei influenciado por algum artista já consagrado? E isso, por acaso, reduzirá o meu estilo de fazer arte, ou seja, a influência piorará minhas pinturas? Eu percebi que pude evoluir, na questão estética. Então, uma questão: isso, pode fazer com que minhas obras, humildes desenhos, sejam considerados obras de arte?
Ou, por exemplo, na arte da composição. O que escrevo será que é uma influência, uma cópia de algum autor? Mas como se nunca li nenhum poeta, ou texto lírico? O que classifica o que escrevo como poesia? Enfim, são estilos e análises, discursos que determinam o estatuto e o objeto de arte ou, um critério de julgamento por parte de um especialista, é quem podem definir mais acuradamente.
Há também o senso-comum, que pode aceitar o que é arte ou não, dependendo do impacto que a obra cause. Isso dependerá muito do rigor com o que é medido uma obra de arte e a afeição, ao estilo de cada autor, perante seu trabalho. Arte: expressão de emoções e idéias... À ela, caberá o período, as circunstâncias - presentes em cada cultura -, a questão estética e a sua real intenção de fato. Ela é dual, pode ser e não ser ao mesmo tempo.

Referências bibliográficas:
COLI, JORGE. O que é arte. Sao Paulo, Ed. Brasiliense, 1995. 15ª edição.

PAZ, ERMELINDA AZEVEDO. Villa-Lobos e a Música Popular Brasileira. Uma visão sem preconceito. Rio de Janeiro, Arte & Cultura Produções LTDA., 2004. 1ª edição.