sexta-feira, 7 de abril de 2017

Psiu! Silêncio! E não se mexa.


...
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Você consegue?
Claro! É fácil!
É só a boca fechar
Mas não é só isso
Difícil é a mente “calar”
Agora… Quieto! Imóvel!

...
...
Conseguiu tal proeza?
Fácil parece também
Controlar-se é um bem
Problema é quando não conseguimos.
Da inércia, fugimos
À mente, mentimos
Ao espírito, enganamos
O ficar, fugir
O fugir, voltar
Nunca estaremos parados
E assim se mantém nossa mente
de galho em galho sempre
Já dizia Heráclito
ou Hermes? Ou Frida?
“Tudo se move”
Também Galileo, arriscando sua vida:
“Eppur si muove”
De lá pra cá, aqui ou lá
Perceba quanta coisa se mexeu
Alguém morreu, outro nasceu
Quanta coisa mudou
Ontem uma criança, hoje avô
O tempo não pára
O atleta, uma flecha
O monge, uma rocha
Ambos envelhecem
Os olhos se abrem, o mundo à frente
Pássaros voaram, o Sol despontou
Lábios se tocam, algo se sente
Um belo beijo, à paixão despertou?
No mar, ondas se chocam
No ar, a brisa leva embora
Gritos que ecoam
sons que vêm de outrora
Tudo é movimento
Mesmo parado
Há um momento
Há um estado
Caindo em pé, correndo deitado
Igual a chuva, no velho ditado
Estamos sempre nos mexendo
O universo em movimento está
As estações, estrelas, o clima, tudo
Pensar, imaginar, sonhar
Também é movimentar
Até o estático se move
Se mexe, até o que não sai do lugar
Então pare, sinta, olhe e vá
Veja o que te move
O que se move
Mas o faça
Mesmo sem se movimentar
Apesar de, em movimento estar
Pois difícil é o pensamento parar
ou as galáxias também
Estamos adjacentes a isso
Não sentimos, mas estamos em pleno voo
Permita-se ao vazio, ao silêncio
À quietude, à paz e ao bem estar
Mesmo que por alguns segundos
Vale a pena tentar

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Rio de janeiro à dezembro


A cidade do Rio de Janeiro
Ah! Cidade…
De anjos e demônios és o celeiro
Como Paris, ora é tão romântica, apaixonante
Ora é tão horrível quanto o inferno de Dante
Contudo ainda é completamente bela
A beleza de sua própria natureza
A coragem e a humildade nas suas favelas
Jaz aqui o sangue da nobreza
Realmente uma cidade maravilhosa
O pôr do sol, parecendo tocar o mar
Se esconde rapidinho, deixando saudades
fazendo estrelas brilhar
É o céu mais encantado
Vem o alvorecer e pinta o Rio de dourado
suas avenidas, seus morros, cada lar
O azul mais azul, no horizonte
mescla-se com o verde mais verde
que brota da sua mais viva fonte
Da Ponte mais simpática
ve-se o espelho que a tudo reflete
Desde a mais pesada sujeira
A um senhor de braços abertos, inerte
Mas calma! Por nós ele olha sim
Para o pobre, para o nobre
Para quem usa seda, ou quem usa cetim
Nós é que para Ele não olhamos muito
Os esquecemos por completo
Pois aqui não se pára um minuto
Vivemos como um gado seleto
Seja dentro das indústrias
camelôs, qualquer comércio
A boemia, a religiosidade
O encanto, o desencanto, o céu, o inferno
Rio de Janeiro ainda é a cidade
De verão à verão, de inverno à inverno

O violoncelo


Era uma música
Em tom menor, enormemente compassada 
Rolava, em minha consciência, suavemente
Ora doce, ora muito pesada
Análogo a uma pessoa caminhando vagarosamente
dando largos passos num caminho enevoado
desviando aqui e ali de trevos
e do chão empoçado
Sua intensidade era agradável
Os graves imponentes
Os médios envolventes 
e os agudos instigantes
Era um instrumento só
Algo, ou alguém fazendo uma apresentação
Um anjo solista, ou o mal em auto compaixão?
Seu timbre era capaz de elevar
Tirar alguém do solo, literalmente
Apesar dos imponentes graves, a melodia era leve
Transformava tudo num cenário normal
Apesar da paisagem cinza, inerte
a natureza, o clima, tudo era frugal
Um majestoso instrumento
As cordas vibravam
O arco por elas passava
A cada movimento
meu submetido pensamento 
na neblina se mesclava
Sua caixa acústica recitava notas solenes
Meus olhos marejavam lágrimas perenes
Um dia que nunca tive
Uma caminho que nunca percorri
Uma música que nunca ouvi
Mas que sei que existem
E que meu coração persiste
Segue, sonha, luta para alcançar
E se apraz, como neste momento
Em apenas nisto meditar