domingo, 27 de novembro de 2016

As vezes, eu.


Grandes nuvens carregadas:
Este é o meu pensamento
Chuva, muito vento, trovoada
Cada gota um arrependimento

Um peso enorme cai do céu
Porém limpo, pequeno e transparente
Me cobre como um pesado véu
Pingos me ferem conscientemente

O passado não volta mais
Também parar lá não queria
O que fiz a mim, aos meus, aos animais
São coisas que novamente não faria

Eu não sou Santo
Diabo também não
Para eles apenas canto
Sacro, profano ou pagão

Isso não me atormenta
Também não me deixa feliz
Sou mesmo “oito ou oitenta”
Sou réu, sou juiz

Sei das minhas penas
Sei dos meus méritos
Pago o que devo apenas
Se me devem não faço inquérito

O hoje é o meu eterno amanhã
Se eu pudesse nem dormia
Ficava deitado no divã
Brincando com a psicologia

O que passou, passou
E do futuro não quero saber
Hoje sou o que sou
Estou aqui para todos ver

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

É... Madrugada.

E àquela madrugada que acordei
As cordas do meu violão ainda vibravam
Talvez por que com você eu sonhei
Ou se mãos invisíveis o tocaram

Um aroma de gardênia inconfundível
Uma brisa solta a passar por mim
Meu corpo estava bem sensível
Vi meu quarto como um lindo jardim

Minhas dúvidas me ensinam
Mostrar sabedoria demais só subtrai
Quanto mais observo mais leve fico
Dizer que sou sábio demais o corpo cai

Penso o mal, o som se distorce
Penso o bem, violinos se despem
Maus pensamentos, até às flores contorcem
Aos bons sentimentos, à natureza obedece

Quero atraí-la; essa hora, longe estás
Penso voar; até a ti ir atrás
Não me importo com o caminho a percorrer
Do sonho que sonhei, acordar não quero mais

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Malum

A SOCIEDADE DOENTE ESTÁ.
DECADENTE, INDECENTE, NÃO QUER PARAR...
O DESCONTROLADO USO DO FAMOSO "RIVOTRIL",
EQUIPARA-SE AO DO "MELHORAL INFANTIL";
EM QUANTIDADE, ÀS MAIS DIVERSAS NECESSIDADES.
É VERDADE!
A SOCIEDADE PERECE.
JÁ ERA MANO!
DEITA AI E ADORMECE.
NÃO QUEIRA NUNCA MAIS ACORDAR.
NEM O SOL HÁ MAIS DE RAIAR.
VIVEREMOS EM COMPLETA ESCURIDÃO.
UNS DE BERMUDA, OUTROS DE TERNO;
MAS DE MÃOS DADAS, NA MAIS PERFEITA UNIÃO,
CANTAREMOS HINOS NO INFERNO.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Quem é o inimigo?

O ser humano necessita de um culpado;
Temos que condenar um coitado.

Tem que haver um culpado para tudo no mundo;
A quem vamos pegar? O playboy ou o vagabundo?

Essa é a nova droga;
“Pega pa Cristo” e joga na roda.


É como uma necessidade;
Como se fosse um ato de "caridade";

“Preciso culpar algum coitadinho”;
“Alguém tem de pagar! Quero justiça!”
“O meu achocolatado veio sem canudinho”;
“Tem-se que culpar alguém, mesmo com injustiça”.

Dessa forma as coisas vão evoluindo;
Inocentes tornar-se-ão culpados;
Satisfazendo prazeres, de porcos fingidos,
Da elite, carregada de sentimento amaldiçoado.

Na verdade, a sociedade é a culpada,
São eles os verdadeiros criminosos;
Vivendo nos condomínio, escoltados;
Comemorando linchamentos odiosos.

Qual bandido tu defendes?
O de farda, de terno ou de chinelo?
Aquele que lhe bate ou que lhe prende?
O do “cifrão”, ou o da “foice e o martelo”?

Tem aquele que fala bonito, e o que fala errado;
Há o que rouba rindo, e o que rouba calado.

Eu defendo aquele que me convém;
Quem me é apraz e me interessa;
A consciência de classe está muito além;
E continuamos a votar em quem nos despreza;

Nosso maior inimigo é o próprio estado;
É a alta sociedade quem dá as cartas;
O pobre trabalhador sempre será culpado;
Inocente, morre como uma barata.

“Gente, vamos culpar alguém!”
“Isso não pode ficar assim”;
“Quero justiça também”,
“Mesmo que para você seja ruim”.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

...E como um raio que corta os céus: o arquétipo feminino da guerra.


Brilha lá no Orum,
Uma luz que nos fomenta,
Seus ventos tocam um por um,
Nos acompanham nas tristes tormentas;

Cuida também daqueles que já se foram,
Conhece os caminhos obscuros,
Resgata aqueles que imploram,
Livra-os também do infortúnio;

Ela é a própria tempestade,
Que sucede os ventos quentes.
Nunca deixa nada pela metade,
Vive intensamente paixões ardentes;

Desejada por mitológicos guerreiros;
Simples mortais a louvam com clamor.
Se desdobra, vira águia e até cordeiro,
Ela é a menina dos olhos do Criador;

Mas também guerreira é,
Brande sua espada com ira.
Sensual, uma linda mulher,
Rara, é forte e bela como uma safira;

Onde estivermos, escutaremos sua saudação:
Entoá-la com respeito e admiração, é lei.
Impactante como uma forte explosão,
Tão majestoso soa, quando se brada “Eparrey”;

Raio, trovão, a tempestade;
Santa Barbara, Iansã, Oyá.
Rainha que nunca perde a majestade,
A mais linda guerreira yabá.

sábado, 12 de novembro de 2016

Mais ou menos surreal.




Um belo dia,
Numa noite fria,
Acordei do nada;
Me dei conta, era madrugada.
A Lua iluminava o quarto,
Pela janela, refletia no tapete.
Sua luz, em um grande quadrado,
No chão formado, de cor branca,
Trazia monstros e o cacete.
Não me contive e pulei;
Naquele desenho no chão,
Me joguei.
Entrei no mundo surreal;
Tinha de tudo! Desde um monstro velho,
A um Vampiro bem legal.
O monstro, rabugento, não parava de falar,
O vampiro, coitado, tentava o calar.
Dizia coisas sem nexo.
Tentando fazer rimas.
Mas era uma língua estranha,
Parecia o Mandarim, da China.
Eu perguntei ao conde Vampiro:
“O que esse monstro diz, não entendo?”
O vamp respondeu:
“Sei lá, também não o compreendo!"
“Quer saber, vamp, vam bora?"
"Vamos tomar uns vinho por ai...”;
“Só tomo laranja com acerola” - respondeu o conde.
Que olhou pra bem longe,
Virou pombo, bateu asas e partiu.
Perguntei: “onde vais?”
“Pra puta que o pariu!”
E fiquei lá, bolado e sem ter hora.
Havia levado do pombo-vampiro um fora.
Um diálogo com o monstro me sobrou.
Mas o cara não sabia nem falar,
Que horror!
Tentei puxar assunto, tentei dizer olá;
E o cara tagarelando sem parar!
Até que num momento ele disse “gol”
Uma palavra? Uma expressão?
Será que é flamenguista como eu sou?
Monstro, favelado? Existe isso desse lado?
Afinal que lado estou?
Inferno ou o paraíso?
Se for um dos dois,
Vão me arrancar muito riso.
Inferno com vampiro que vira pombo? Que figura!
Que bebe acerola, laranja?
Ele fala palavrão, quanta lisura!
Ou um monstro no céu, daquele tipo?
Seria uma especie de “anjo-hemipo”?
Não, não dá pra crer.
Melhor eu pedir pra parar;
Pedir pra descer.
Já chega a brincadeira acabou.
A Lua se foi, o Sol raiou.
O calor está infernal.
Queima tudo, falou?
Queima o rabo, queima o pau.
Voltarei pra minha cama,
Que é o melhor lugar.
Aqui eu vivo, eu sonho, eu viajo;
Sem sequer sair do lugar.


domingo, 6 de novembro de 2016

O elo contra o duelo.


Não sei por que o brasileiro não lembra de sua história;
De seu passado recente, de algumas glórias...

Não lembram que há uns anos vivíamos sob um sistema austero, completamente?
Um regime opressor, nefasto, um poder doente?

Tudo bem, àqueles que não viveram isso, claro, não têm como lembrar.
Mas basta estudar um pouco, ler, se informar;

Ouçam os mais velhos!
Leiam bastante: desde Marx aos Evangelhos.

Hoje ainda há muito reflexo, na sociedade, devido ao nosso recente passado;
Vidas e momentos que foram enterrados.

Antigas sociedades estão marcadas por seus passados, de milênios de anos.
E nós, brasileiros, que somos bebês ainda no quesito democracia, cultura e direitos humanos?

Nós estamos encontrando, ainda, nossa identidade.
Se achas brasileiro, somente por que, diz a sociedade?

Ser brasileiro é muito mais que isso, camarada;
É viver liberto de qualquer amarra.

E o nosso passado, nossos ancestrais, nossos irmãos?
Foram apagados ou queimados em alguma fogueira da "Santa Inquisição"?

Temos de mudar radicalmente nossa forma de pensar, de ser e de agir.
Ainda há em nós, desagradáveis resquícios. Termos de reagir.

Na verdade, antes de ser brasileiro, antes de sermos uma nação,
Devemos é pensar como irmãos;

Somos todos uma raça só:
Desde índios, brancos, até negros ou esquimós...

Escravidão, ditadura, golpes, guerras, corrupção;
E tudo mais que destrói vidas de uma nação:
Pode parecer ilusório, mas é história, é verdade;
Isso extingue qualquer forma de sociedade.

Pensemos no coletivo, pensemos que sozinhos não somos nada;
Estejamos juntos na paz, ou na luta armada.

E que, sozinhos, não vamos à lugar algum.
O ser humano precisa do ser humano;
Vamos nos unir, vamos agregar um por um;

Pois desistir do próximo é isolar-se, afastar-se, e implicitamente, 
Declaras repulsa ao seu semelhante.

Pensemos como irmãos, vivendo na mesma Terra;
Sem essa de países, nações, religiões... Isso gera guerra.

E guerra, embate, disputa, apostas, azar;
É lagar a vida à própria sorte, e a esmo se deixar levar.
Um triste fim terás...

Portanto, caminhemos juntos, por um mundo melhor;
Não retrocedamos, como indivíduos, como sociedade. Será muito pior!

Por um mundo mais humano, com ações mais descentes;
Lutemos para manter essa ideia sempre latente.

sábado, 5 de novembro de 2016

Silêncio!


O silêncio é um fenômeno;
É uma linha fina, eterna,
Percorre todo o universo.
Não teve início e nem é finito.
Até entre os meios mais barulhentos, 
Há sobreposições entre silêncios e ruídos.
O silêncio, na verdade, é a ausência do som?
Ou o som é a ausência do silêncio?

O som é uma vibração; o som é onda,
E o silêncio? 
Entre ruídos e silêncios; sim e não; altos e baixos;
Tudo, nada, Deus e diabo:
Som e silêncio se mesclam, não se definem.

Fique em silêncio! Mas ouvirás o ar que entra e sai de ti;
Não faça barulho! E ouvirás a vida:
O coração pulsando, em intervalos.
Uma forte, seguida de uma fraca batida;
Tudo isso num perfeito embalo.

Segundo a ciência, nada existia antes da explosão.
Somente silêncio e escuridão.

Muito silêncio ensurdece, enlouquece.
Também inspira, instiga, estremece.

A noite cai, o silêncio brota.
A manhã brilha, o som se nota.

A Lua, é muda, contudo misteriosa.
O Sol, expressivo, porém barulhento.
A Lua, soa como uma orquestra esplendorosa,
O Sol, um ruído "esmerilhento".
O silêncio é monótono, fúnebre.
O som é vida, é movimento.

Ouço vozes, ouço lamentos, improvisos;
Sons de instrumentos, de festas, risos;

Escuto alegria e também a tristeza:
O gargalhada do plebeu e o choro da princesa.

O que vem com essa felicidade?
Seria o som da maldade?

E com o silêncio? O que o segue?
Seria o amor que se consegue?

Os maiores diálogos vêm do "silêncio";
As maiores paixões, o sexo.
Apesar do suspiro, do gemido e sussurros,
O silêncio ainda faz nexo.

Quando querem nos calar, em opressão;
O próprio silêncio é a melhor repressão.

O som tem diversas formas de expressão,
E possui vários sinônimos;
O silêncio não.
E confronta diretamente com seu antônimo.

O silêncio existe, porém não.
É muito louco entendê-lo, ouvi-lo.
Quer estando em silêncio ou não.
Assim como ele está presente,
Desde o sempre, 
Ou, até o fim;
Existe um "silêncio",
Produzido por você e por mim,

Na religião, Deus, em silêncio, se comunica;
Calado, pede-se em prece; por Ele se suplica.
Cada um sabe senti-lo, usá-lo.
Quando cantamos, ou quando em louvação.

Antes de assoviarmos, de balbuciarmos;
Antes de qualquer grito, qualquer explosão,
Há um silêncio que, nos faz, da vida, termos noção.
Ouça esse silêncio, é possível!
É a mais pura e melhor sensação.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Pense bem: Não queira saber de nada

- És inútil?
- Sim, sou!
- Tens certeza?
- Perai...
- Não és tão inútil assim... No mínimo, pois, os ignorantes são úteis aos sábios! E cá entre nós... Na verdade, quem é sábio hoje em dia? E quem é o ignorante? Sócrates ainda nos dias de hoje teria razão: "Eu só sei, que nada sei".
- Pois é, disso eu também sei. E se sei, logo, não sou ignorante. Portanto não sou inútil. Ninguém o é. Nós somos, na verdade, todos sábios; intelectuais de nosso próprio mundo; doutores de nossa vida.
- Uns sabem disso, outros não. As vezes não ter ciência de alguma coisa é a maior sabedoria.
- Perfeitamente, oh sapientíssimo! Até breve, meu caro...