sexta-feira, 29 de abril de 2016

O nosso sorriso aberto

Hoje pela manhã liguei o celular e vi algumas mensagens da minha amiga e um link para uma música. Dizia ela:
“Silvio, ouve isso. Olha que lindo! Letra linda! Eu choro ouvindo essa música. Muita energia. Algo curador para nossa mente. Comecei a sambar...”.

Conversamos sobre o que significa a canção (que segue abaixo), a letra a melodia... Enfim. Ela faz-nos olhar para nosso âmago, nosso passado, ou presente e sempre nos identificamos com algo. No meu caso o violão. Já a minha amiga, o seu tamborim. E assim a vida caminha, o curso segue, como cada segundo dessa música, cada ritmo, cada melodia.

Resumimos a conversa dizendo: "Na verdade o Samba é triste. É temperado com certa tristeza".

É minha amiga Simone! Vamos que vamos, juntos nessa caminhada. Sambando, rindo, chorando, fazendo nosso ritmo.

Obrigado Simone, minha amiga, por me presentear a manhã com esta Pérola! Está jóia maravilhosa que nós temos.

“É
Foi ruim à beça
Mas pensei depressa
Numa solução para a depressão
Fui ao violão
Fiz alguns acordes
Mas pela desordem do meu coração
Não foi mole não

Quase que sofri desilusão

Tristeza foi assim se aproveitando
Pra tentar se aproximar
Ai de mim
Se não fosse o pandeiro, o ganzá e o tamborim
Pra ajudar a marcar (o tamborim)

Logo eu com meu sorriso aberto
O paraíso perto, pra vida melhorar
Malandro desse tipo
Que balança mais não cai
De qualquer jeito vai
Ficar bem mais legal
Pra nivelar
A vida em alto astral”


(Jovelina Pérola Negra)

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Aparentemente...

Muitos escondem o choro. 
Mas o sorriso, dizem valer ouro.
Demonstram-no demasiadamente.
Saibam que ele é mais susceptível a falsidade.
Muito mais do que às lágrimas de verdade.
Muitos dos que pedem desculpas são afortunados;
Reconhecem o erro, aprendem. Afinal, quem nunca errou?
Pobre daquele que só diz obrigado,
Não age, só observa e vive pedindo favor.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Não ousaria tocar em uma flor.


Com o esplendoroso surgir da alvorada,
Uma flor delicada em minha vida brotou.
Tão pura, tão bela, tão singela,
Um ser iluminado que Deus tocou.
Não quero magoá-la.
De qualquer forma machucá-la.
Meu jeito duro e difícil;
Insensível, incompreensível.
Temo em dirigir-lhe a palavra;
Muito menos olhá-la
Jamais, sequer tocá-la.
Não ouso me aproximar,
Nem permanecer diante de tal.
É a essência da natureza,
A real beleza, completa riqueza.
Ai! Se eu pudesse ao menos senti-la,
Um milionésimo de segundo, mas não...
Seu aroma, sua tez, seu calor...
Minha aproximação causar-lhe-ia pavor.
Apesar de ela não possuir espinhos,
Descortês, arrancar-lhe-ia de vez.
Pô-la-ia em meu pequeno jardim.
Perderia-me facilmente,
Em tentação iria cair minha mente.
Minhas mãos ousariam tocá-la;
Meus lábios beijá-la.
Meu coração iria bater tão forte,
Que o impacto machucaria-a.
Eu não iria provar o sabor do mel,
E sim o gosto amargo do fel.
Mal eu posso lhe fazer.
Afastar-me é o bem a saber.
Me dói em pensar nesta ação.
Nefasto para mim será:
Tanto lhe possuir,
Quanto de ti desistir.
Só me resta por ti rogar.
Suplicarei para sejas cada dia mais perfeita,
Mais ainda que já és, de certo.
És a admirável, encantadora, verdadeira;
Flor maior que já brotou neste universo.

domingo, 24 de abril de 2016

Anjo quase obscuro.



Hoje vi um cara estranho.
Se auto intitulava Anjo da Morte,
Não possuía nenhum rebanho,
E sua espada, sem fio, não fazia corte.

Era um cara sinistro sim e solitário.
Gostei de suas asas e trajes cinzentos.
Ele curtia ficar a sós no calvário,
Recitando longos mantras de lamentos.

Até que seu timbre de voz não me assustava,
Sua face sem expressão também não.
Parecia que um efeito sonoro o imitava,
Em lugar de seu rosto havia um borrão.

O cara era cômico e tinha um papo legal.
Articulava sobre a morte, a vida; céu e inferno.
Distinguia bem o carnaval do Natal,
E dizia que enquanto vivo só andava de terno.

Eu ri, pois o achei melhor agora do que em vida,
 Porque estes não valem uma xícara de café.
Geralmente os de terno têm uma vida bandida,
E são exímios ladrões ou negociantes da fé.

O pobre anjo concordou e riu também.
Lembrou de um humilde senhor carpinteiro.
Quando tentou instruir a todos da Terra e do além,
Dizendo que, para tudo, o amor vem primeiro.

O estranho anjo de cinza se despediu.
Educadamente me felicitou e foi-se embora.
Dentre muitos fui o único que para ele sorriu,
Deixando-o intrigado com nossa breve prosa.

O não-amor existe?





Tem gente perdendo a crença no amor.
Tem autores que declaram ele não mais haver.
Como um misto de sofrimento e dor, seja lá o que for.
Quase sempre tira até a vontade de viver.

Amor e dor? Seria um contrassenso!
Sim, para aqueles que nunca amaram.
Há os que já viveram algo intenso,
E ainda assim se machucaram.

O amor é! Ele é um estado.
Não foi criado, nunca terá fim.
Todos os dias deve ser procurado.
E sancionado por anjos querubins.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Ogum é São Jorge, São Jorge é Ogum.


Caminhando sob um estrelado céu
Vejo uma esplendorosa lua cheia
Parecendo uma noiva com grinalda e véu
Os meus caminhos ela clareia.

Ao lado dela há um Orixá e um santo padroeiro:
Com sua espada, o imponente Ogum,
E com seu alazão São Jorge Guerreiro.

No céu vivas cores se mesclam.
Irradia o forte vermelho da cor do sangue,
Outra cor é da chama, o azul-pavão.
Juntos tornam minha áurea brilhante.

Lute por mim oh santo guerreiro!
Me defenda grandioso Orixá!
Nas minhas preces são sempre os primeiros.
Pois nunca hão de falhar.

Mestre das armas, cavalheiro nobre.
Batalhador, o verdadeiro forjador.
Fez ferramentas em aço e cobre,
Dizimou de seu povo o sofrimento e a  dor.

Lutou contra o império, em carne pereceu.
Mas sua alma é viva, emite raios de luz.
Não se curvou diante do ódio, o venceu.
Carregando seu eterno amor ao Mestre Jesus.

O fardo é leve?


Reconhecer que não sabes lidar consigo,
É um momento delicado e de um trabalho árduo.
Não adianta correres, sumires, buscares abrigo,
Pois é este teu grande e eterno fardo.

Não deixe que qualquer coisa lhe abata.
Isto será uma contínua transmutação.
Terás de, como um soldado, enfrentar combates,
Contudo, no fim, medalhas farás coleção.

Hoje o tempo nebuloso está.
Frio, chuva, trovões, total escuridão.
Mas amanhã terás um perfeito dia a contemplar,
Sob a luz do Sol junto a uma bela paixão.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Cuidado! O coração.


Cuidado! Frágil ele é.
Aparentemente parece feito de pedra.
Só que ainda pulsa, emociona-se, tem fé.
Mas é como cristal, facilmente se quebra.

 Por outrem é fácil perder a noção.
Por uma paixão, deixar ser levado.
Do peito arrancar seu coração,
E doá-lo sem que ele seja notado.

Pode ser comparado às flores,
De tez macia, de rubras cores.

Pétalas de rosa, tão leves e sutis.
Se soprar, voam, como sonho infantis.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Seus olhos, o luar.




Estás chorando?
É por que teus olhos estão brilhando.
Achei que fossem lágrimas.
Mas é natural. Estou sem palavras.

Simplesmente, posso lhe afirmar:
É lindo o teu olhar.

Há uma luz viva, cintilante.
Despertas encanto, emocionante!

É um brilho igual ao da Lua.
Daquelas de noites de lua-cheia.
Ilumina todo o campo, e toda a rua,
E no mar induz ao canto à sereia.

O Sol sente prazer em lhe iluminar.
Despeja raios em ti com perfeita harmonia.
É um encontro de se apaixonar,
Num eclipse junta a noite com o dia.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Fiel, triste fiel


Adore, abuse, seja!
Não se esqueça do seu amigo aí;
Tudo o que precisares,
Tudo mesmo, ele fará por ti.

Dizes que ele é bom.
Que não tem noção de quanto.
Ele sabe que a si mesmo não.
Quando triste sozinho num canto.

Ele gosta quando tu o fazes sorrir.
Mas sempre reclama da própria auto-estima.
Seu mundo, nenhum lápis de cor irá colorir.
Talvez nada lhe puxe para cima.

Mas conte com seu amigo,
Por ti buscará forças titânicas.
Nas horas de maior perigo,
Por ti lutará até contra forças satânicas.

Qual caminho trilhar?


Comigo, não se preocupe.
Deixe-me trilhar sozinho.
Por favor, me desculpe,
Sou o dono do meu mundinho.

Olha... Não estou apaixonado;
E também não estou querendo me matar;
Apenas escrevo como num ditado,
Com prazer, sem esforço, sem me cansar.

Sabiamente irei atravessar os rios da vida,
Seja a pé ou a nado; muito ou pouco.
Não me siga, meu querido, minha querida,
Pois não quero ficar ouvindo: você é louco!

Quem caminha aprecia melhor;
Quem se apressa, só vê o pior;
Me esforço muito para não correr,
A fim de não ver sangue, e sim suor.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Do Lindo Lago Sul


De sorriso doce a um olhar penetrante
De um jeito simples a um perfil marcante

Do que qualquer nascente ela é mais pura
Sua alma cristalina se faz presente
A majestosa natureza repleta de candura
Mas fica brava quando a chamo de carente

Ela me deixa sem palavras, me excita
Meu coração vibra, do ritmo ele se perde
Tudo em meu corpo se agita
Meu pensamento fica inerte

Ela tem mania de fazer eu me apaixonar
Facilmente faz meu pensamento voar

Comigo, imaginá-la nos melhores momentos
Me faz feliz, com isso me contento

À ela não encontro mais adjetivos
Para tudo o que eu venha a falar dela
Não servirá como nenhum comparativo
Desde uma simples mulher a uma rica donzela

Meu coração por ela vive
Meu pensamento a ela é direcionado
Me sinto leve, feliz, livre
Agora vejo que estou apaixonado

Não há no Sol, na Terra ou Lua
E nem neste vasto Universo
Comecei buscando em minha rua
Hoje já estou muito longe do regresso

Desde então não vi igual mulher
No sentido pleno da palavra
Com isso renovei a minha fé
Sabendo que era isso o que me faltava


O samba do poeta

É como matar a sede
Água pura cristalina da fonte
Ela não é a "lady"
E sim a lua-cheia despontando no horizonte

É aquela que me ilumina
Mesmo nas noites escuras
O sorriso que fascina
Dotada de beleza e ternura

Linda fica quando curiosa
Mesmo quando está brava
Sua voz em meus ouvidos é maravilhosa
A Dona dos rios, das doces águas

Tenra, de fácil riso
É para mim uma guerreira
Teus passos são precisos
Inabalável com a uma figueira

Na passarela ela é rainha
Do início ao fim distribuindo emoção
A sua Escola um samba por ti faria
Exaltando-a mais até que o próprio pavilhão

É a mais linda da terra da garoa
Do Rio, do Brasil, do Universo
Não caberia poemas de Fernando Pessoa
Nem qualquer escritor com seus versos

A mais doce criação
Deus a tratou com muito carinho
Pôs-na diretamente eu meu coração
Esse pobre rapaz desalinho

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Quem é você? Já parou para pensar?

Anos se passaram e eu não sei quem sou. 
Pois quando me encontro, já mudei de novo. 
Nessa busca constante a paz uma vez reinou,
E os tiranos uma vez temeram o povo.

Sinceramente... Ô mundo chato! 
Tudo o que realmente queremos nos fere. 
O desejo proibido não é sensato. 
Caímos em tentação, logo sentimos na pele. 

Mil EU se revezam bem ligeiro. 
Neste momento estou sendo o EU 999. 
Pobre EU! Sabe que há anseio outra vez pelo primeiro. 
Este alegremente desejando que tudo se renove. 

Deixo as pessoas confusas, coitadas. 
Mas é tudo bem normal e justo. 
É que eu vivo o agora e também vidas passadas. 
E quando se dão conta, levam um susto. 

Nessa briga de ingênua dualidade, 
Nem tudo de mim sai perdendo, ou ganhando. 
Nem a infame mentira, ou a pura verdade. 
Será que perco com a sinceridade e ganho enganando? 

Não devo me assustar com isso. 
Preciso respeitar, saber de fato. 
A ruindade jogar no lixo, 
A bondade emoldurá-la num quadro. 

A dualidade se torna uma coisa só: 
É como um resultado de uma soma. 
Pode ser também dois cadarços num nó. 
Ou uma pobre alma num corpo em coma. 

Ao pó posso dividir minha vida, minha matéria. 
Mas ainda assim meu espírito é só um. 
Não sou dois, nem três ou qualquer quimera. 
Sou um ser pensante, livre e comum.

Será que me reencontrei?
Consegui me identificar?
Feliz assim viverei?
Ou terei mais uma vez de mudar?