quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Diálogo com a chuva


Numa bela noite eu rogo uma companhia.
Eu estou só e quero conversar.
Eis que a chuva me dá o ar da graça.
Eu sinto que ela quer se comunicar.

Primeiro ela chega e toca a terra de mansinho.
Vem graciosa, sem alterar o tom de sua voz.
No meu ouvido sussurra baixinho,
Feéricas frases, formosas como rosas e girassóis.

A chuva, alegre, arruma um meio melhor de se comunicar.
Ela usa as folhas de uma linda amendoeira.
Que, verde, leve e vivas nas alturas,
Deixa cada gota cristalina se chocar.

A cada pingo surge uma palavra.
Ora fica aquele silêncio, ora vem uma enxurrada.

Às vezes as gotas sincronizam-se.
Mas de uma tal forma que...
Parece uma linda sinfonia,
Entoando a mais perfeita melodia,
Que meu pobre coração já sentiu.

Eu as ouço e compreendo-as perfeitamente.
(Com a amendoeira intermediando a conversa).
A chuva diz: "Calma, menino! Não tenha pressa.
Estou aqui, pois gosto de ti".

Quero responder, mas não consigo.
Tenho medo de ela não me entender,
Ou meu vocabulário ser mal traduzido.
Eis, uma noite de chuva que nunca vou esquecer.

Infelizmente, silêncio total: ela se foi.
A saudade já aperta, de fome farei greve.
Sorrateira, chegou se dizer 'oi',
Arisca, partiu sem dizer 'até breve'.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

A estrela


Olho para o céu, estrelas cintilam.
É uma linda noite...
A Lua se esconde, mas por onde eu olho,
Vejo brilhar, no infinito, o teu fascinante olhar.

Sinto vontade de percorrer esse firmamento.
Contar as estrelas de perto,
Com você descobrir novas moradas,
E encantar todo o universo.

Para mim, essa noite não terá fim.
O tempo irá parar, mas nada irá morrer.
Não interessa o medo que sentiremos.
Não importa o quão escuro será.
Eternamente nós dois viveremos.
Sem espaço-tempo ou um evento qualquer.
Levando Einstein e Newton ao erro.

Nós dois, apenas eu e você.
Temos tudo, os astros, estrelas, o cosmo.

Para mim nada importa,
Nem o que diz o mapa astral.
Sou aquele que abre e fecha as portas.
Afinal, agora eu sou o zelador do espaço sideral.

Na verdade, tudo isso é lindo.
Mágico, surreal!
Não é um sonho ou alucinação.
E acontece toda vez que eu olho para você.

Mas todo esse universo, não basta sem ti.
Não me importa um monte de planetas.
Galáxias, sistemas solares...

Você é a única!
Com teu brilho 
apenas, me contento.
Quero teu sorriso e teu colo.
Como é perfeito o teu acalento.

Tu és o ar que eu preciso.
A água que mata a minha sede.
O calor que me consome.
O doce beijo de uma debutante.

Tu és tudo!
És mais que o brilho das estrelas.
A felicidade completa,
A que me conquista de todas as maneiras.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Mãe cujos filhos são como peixes


Mãe, grande Mãe,
Acima do bem, acima do mal.
Rainha do mar.
Ingênua, serena e calma.
Mas, quando se enfurece,
Suas ondas vêm da alma.
Um espetáculo ímpar que ao chão estremece.

Seus longos e esplendorosos cabelos crescem sem parar.
Vaidade, encanto, sedução:
Sereia que, a noite, em alto mar,
Canta a mais bela canção.
Aos pescadores atrai-lhes a atenção.
Leva-os ao fascínio e perdição.

Em noite escura, apenas o luar.
E na mais completa solidão,
Num lindo gesto materno,
Ela os acolhe em seu seio.
Dando lhes carinho e atenção.

É o ser mais belo que Deus tem em sua criação.
Dia dois de Fevereiro, dia de Iemanjá!
Dia dos filhos, em devoção e fé,
Lançarem flores no mar.
Num rito sagrado, da Umbanda e Candomblé,
Todos remando na mesma maré,
Clamam a proteção, para o mal os afastar,
Salve Odoyá!