quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

O sabor do mel




Com os versos em Iorubá,
Ela surge na linda canção.
Que no meu peito faz germinar,
Notas de uma ardente paixão.

Seus tenros olhos cor de mel,
Trazem-me grandes esperanças.
Me fazem bailar no azul do céu,
Junto as mais belas lembranças.

Me faz sorrir, me faz amar,
Esse seu jeito doce não me regra.
Sua beleza faz-me me afogar,
Nas águas doces desse corpo da pele negra.

Meu coração palpita de emoção.
De ti sinto exalar a mais pura energia.
Por você eu roubaria Plutão,
Colocava-o num anel e lhe daria.

Tens o corpo quente e delicado.
A pele macia, perfumada.
Do branco, a paz; da riqueza o dourado,
Fazem de ti, minha Deusa adorada.

Seu feitiço é levar o amor.
Quero me sentir por ti amado.
Lutarei contra tudo com ardor,
E farei de tudo para ser enfeitiçado.

Quero apenas lhe dizer:
Minha baixinha amada,
Foi muito bom te conhecer.
E quero ter você em minha caminhada.





A dor da alma



O grito da alma mais silenciosa,
Externa-se da forma mais misteriosa.
Vigorosa.
Que nem mesmo a mãe,
De todos os sons já produzidos,
Suportaria tal efeito.

Se fosse assim, jazeria no leito,
Mesmo em seu estado mais perfeito.
Tal sonoridade, de forma majestosa,
Preencheria todos os espaços dessa esfera rochosa.

A dor da solidão.
É como a imensidão, sem dimensão,
Do turbilhão de estrelas, de Luas e de Sóis.
Desse céu infinito, que por acaso termina,
Debaixo dos meus lençóis.

Este que entende meus prantos e se ensurdece tanto,
Que até esquece o tema de minha dor.
As vezes preciso acender um letreiro.
Na fronha de meu travesseiro indicando:
"Hoje não está dando, meu senhor!"

A dor que me consome.
Que se embebeda de minha acidez.
Toda vez que eu, em plena lucidez, penso em vocês.

As lagrimas dançam ao som da valsa sombria.
Enquanto que, na luz do dia, meu olhos se fecham.
E já não possuem força para lutar.
Em meio a tanta zombaria.
Que me atormenta como uma pesada artilharia.

Queria eu assim:
Desdobrar a física.
Burlá-la.
A morte, a mim não sorrir.
Com ela brincar, me divertir. 

Queria eu assim.
Ir sozinho, quietinho.
Montado numa estrela cadente.
Daqui à próxima galáxia em um dia. Sumir!
Ir de encontro ao meu astro regente.

Nos dias da noite. Das noites, o dia.
Assim eu iria, debaixo de açoites, percorrendo, todavia, 
O espaço infinito que me comprazia, que Deus fez em seis dias.

Ah, como real é o meu desejo:
Enquanto vocês dão suas risadas,
Longe sigo sereno em minha caminhada.
Sim, riam.
Não de alegria,
Mas de falsidade, eu diria.