quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Volta, minha bela.


Tem coisas que a gente nunca esquece.
Seja lá o que for.
A nossa frágil vida perece,
Mas nossos momentos são eternos.

Passam as estrelas, os astros.
O universo inteiro!
Vem em nossos sonhos bailar.
Em nossa memória estará.

Tudo passa, mas não o beijo.
Só aquele que sabemos dar.
É a arte de beijar.
Não tem como negar.
Nem disfarçar, nem ignorar.

Você tem uma coisa que fascina.
Por que ainda penso em ti?
Por que estamos presos,
Se somos livres em pensamentos?

Desde quando você partiu,
Minha vida se tornou uma questão de sorte.
É um jogo qual sempre perco.
Pois o maior valor que eu tinha, se igualou a morte.

Um dia você volta.
Um dia nos veremos.
Esquecerei toda essa revolta.
E uma nova vida de amor teremos.

Voando descobriremos um novo mundo em nós.
Faremos mais que fizemos numa pequena garagem.
Cantaremos canções numa só voz.
A música mais bela da nossa viagem.

Passaremos por lindos campos.
Voaremos sobre o lindo mar.
Deixaremos todos os nossos prantos.
No cominho que trilhamos para amar.
 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Lágrimas

Muitos escondem o choro; mas o sorriso, demonstram-no demasiadamente. Saibam que o sorriso é mais susceptível a falsidade do que às lágrimas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O quê das rosas amarelas





Olhos pequenos, grande olhar.
Que me fascinam, me deixam aquém.
Lábios dóceis, que sou louco para beijar.
Me trazem o delicado desejo de ir além.

Tens o perfume de uma venusta rosa amarela.
Que exala paixão e me transforma.
Com seu tenro jeito de nobre donzela,
Seu genuíno amor, a felicidade me retoma.

Deitados sobre o vasto céu, eu e você estamos.
A paz sob o brilho das estrelas e o clarão da lua.
Te contemplo e reflito a que ponto chegamos.
Tendo você, na relva, completamente nua.

A favor a natureza conspira.
Sozinhos queremos o mundo, enquanto ele gira.
Entrelaçados em nossa explosiva energia
Vamos nos amando ao som da lira.

É teu o perfume mais suave e marcante.
Do seu delicado corpo este olor se exala.
Sinto em mim o ardor penetrante.
O qual, de ti, deriva lentamente de forma clara.

Minha vida ficou doce como mel.
Do teu feitiço, irradiante, fui partido ao meio.
Encontrei-me flutuando como pluma ao léu.
Sem medo, trauma ou qualquer receio.

O nosso romance de tão quente explodiu.
Eis que subitamente me dividiu.
 Parte nos teus braços se abrigou.
Outra, vagarosamente, ao céu subiu.

domingo, 2 de novembro de 2014

O espírito imortal.




Hoje é dia dos finados. Respeitemos todos aqueles que estão vivendo fora do corpo material. Tenhamos ótimas lembranças ou, no mínimo, respeito. 


E sobre este dia queria lembrar um diálogo de Sócrates (Atenas, c. 469 a.C. - Atenas, 399 a.C), do livro Fédon de Platão.

Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde aquela época já existia essa prática), que abriu a porta da prisão. Críton, o mais ardente dos discípulos, entrou na cadeia e disse ao mestre:
- Foge depressa, Sócrates!
- Fugir, porquê? - perguntou o preso.
- Ora, não sabes que amanhã te vão matar?
- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!
- Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta - insistiu Críton - vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!
- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim ...

Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:
- Críton, achas que isto aqui é Sócrates?

E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:
- Achas que isto aqui é Sócrates? ... Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material, mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates! ...

E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.

No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:

- Sócrates, onde queres que te enterremos?

Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou:
- Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates ... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu... EU SOU MINHA ALMA...

E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da Felicidade que nem a morte lhe pôde roubar. Conhecia-se a si mesmo, o seu verdadeiro Eu. Divino. Eterno. Imortal...

Sócrates assim como seu discípulo, Platão, tinham a ideia de que a alma é imortal.

Platão dizia que a Alma é o sopro vital, presente em todos os seres. É definida como aquela que tem capacidade de mover por si mesma. Está dividida em três partes: a racional, localizada no cérebro. O ímpeto, localizado no peito. Os apetites, localizados no ventre.

Morrer para o filosofo é libertar-se do cárcere do corpo.

O corpo como túmulo da alma, significa que o corpo e a alma são duas existências distintas. Uma existência aparente (corpo) e uma existência real (alma). O inteligível (alma) é capaz de conhecer por meio das reminiscências, e o sensível (corpo) participa do inteligível.

Há uma separação entre corpo e alma, sendo o homem um misto, e não uma unidade desses dois aspectos. O aparente se altera, morre e o inteligível permanece, pois é uma realidade estável.

(...) 

O material (corpo) é modelado, é o que recebe a essência ou forma divina, se altera e se destrói. Essa alteração é como uma resistência à informação divina, o que justifica sua destruição e morte.

Então meus queridos, eu não creio que NÓS possamos morrer de verdade, ter um fim. Não! Isso nunca me passou pela cabeça. (Relembrando Sócrates: Ninguém pode matar a mim, eu sou minha alma, sou imortal...)

Reflitamos sobre este dia e esvaziemo-nos de angústias, remorsos, raiva, indignação, incompreensão e pensemos somente em paz, amor, harmonia e fraternidade por nós e pelos que já deixaram a matéria.