sábado, 22 de julho de 2017

Pobre rico amor

Eu queria lhe dar tudo
Jóias, carros, iates, mansões
Por você morreria, mudaria o mundo
Mas nada posso além de algumas palavras e canções

Elas brilham mais que diamantes
Que o ouro valem muito mais
Eis o mais perfeitos dos amantes
Um pobre e sonhador rapaz

É como uma estrela o meu amor
Por ti irradia intensa luz e calor
Um brilho que vive mesmo após seu fim
Depois de anos e anos de esplendor

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Quando ele vem...


Quando vem, é de mansinho
Vem de longe, sem avisar
Tapando o Sol, redemoinhos
Não vejo a hora de ele chegar


Flocos de neve
Manto de nuvem, friagem
Dia cinza muito breve
Noite longa, sem estiagem


Do alto da montanha há uma prévia
Chega devagar, da o tom, anuncia
Mesmo a noite vê-se sua névoa
O frio traz sua fantasia


O frio, a chuva, esse clima
Gotas na janela, alta umidade
A serra manda o recado lá de cima
Banhando de prata toda a cidade


O inverno não pode ser diferente
A temperatura cai carentes ficamos
Ansiamos sempre por um corpo quente
Faz-nos aproximar de quem amamos

domingo, 16 de julho de 2017

A plenos pulmões, em plena madrugada

O que é uma madrugada silenciosa, leve, fresca e com um único e solitário canto de um bem-te-vi?
Sim, o pássaro, ou não dorme, ou acorda em plena madrugada e seu canto de longe há de se ouvir


O céu é de inverno, porém estrelado e com uma iluminada Lua cheia
Sua luz, que bate na terra fresca, na grama úmida, brilha no asfalto e às mentes mais loucas, clareia


Uma madrugada tão singular
Uma pena ela tão pouco durar


Mas as madrugadas se repetem
Há nas folhas, orvalhos onde as mesmas luzes refletem


As estrelas são as mesmas, o céu e também a Lua
Toda terra fresca, a grama úmida, a paisagem, a rua


Nada muda, é tudo um ciclo
Desde o mais sensato ao mais ridículo


São assim as madrugadas
Feitas para chorar ou para rir
Na cama, corpo coberto e cabeça deitada
Sejam em silêncio ou com o canto do bem-te-vi

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Nem sei

Nem sei

Outro dia eu li
“Nasceu com dom pra ser bandido”
Não sei se é para chorar ou para rir
Pois ninguém nasce dotes pré definidos

E mesmo que isso ocorra
Um recém nascido não vai querer
não vai escolher ser ladrão, porra
E sim um melhor caminho a viver

Mas por que se comete tanto crime?
Jovens e adolescentes estragando tudo?
Será que é por causa desse regime?
Ou apenas por falta de estudo?

A população não quer educar
dá trabalho e cansa
O Estado prefere remediar
liberando a matança

Morre vítima, morre réu
Morre a sociedade toda
Quem vai ao inferno, ou ao céu?
Ou não iriam todos à Sodoma e Gomorra?

Vamos “enxugar gelo”
É um bom entretenimento
Ao linchamento precisamos de um apelo
Vamos seguir nesse contínuo movimento

Hoje faz-se justiça com as próprias mãos
Amanhã sai como herói na notícia
Mas descobre-se que o justo era ladrão
E que o suspeito na verdade era a vítima

Julgar, não devemos
Condenar, muito menos
Podemos viver em harmonia
Percebam o quanto já sofremos

Há violência no bairro, na cidade
É guerra entre estados, nações
Baixas de todas as idades
Dilacerando os nossos corações

Mudemos o nosso Estado
O causador de tudo ele é
Não adianta termos um réu e um coitado
Para darmos créditos à crença ou fé

Quer assim o nosso sistema
Vivendo como gado
Sendo mal educados
Dando tiro no pé

O problema é social
Não adianta tentar dizer que é Deus
Pois ele, sádico não é.

Qual Deus se comprazeria com a desgraça?
Crianças no crime, jovens se matando?
Sua intervenção serve só a uma parcela da massa?
e àquele que o dízimo está pagando?

Os nós atados estão na sociedade
Nao vem de um mítico anjo mau, ou diabo
São centenas, milhares, na verdade
a quantidade de políticos safados

Além de políticos, empresários
“Proprietários”, “donos” da Terra
Fazendo todo mundo de otário
Fomentando em nome de Deus a guerra

Eles querem de nós a gana, a disputa 
enquanto engordam loucamente
Nos tornamos suas "putas"
Numa vida miserável, porém contente

"Eu fecho com quem me paga mais
Tenho dinheiro, mas não tenho paz"

A liberdade nos foi extirpada
Viver em sociedade hoje é impossível
Uma "doença social" está avançada
e pra piorar, o individualismo é sua cura horrível

quinta-feira, 22 de junho de 2017

É como água da fonte

Não se precisa de olhos para enxergar
Nem de boca para falar
Apenas o corpo para sentir
Quando o coração mandar

O sofrimento é certo
Mas dele dá para fugir
O amor está bem perto
É como saciar a sede com um elixir

É certa também a felicidade
Devemos sempre disso lembrar
Não importando nossa idade
Um dia ela irá também chegar

É como água que vem da fonte
Erga a cabeça e olhe no horizonte

É melhor nada saber

O que eu aprendi?
Não sei! E acabei de esquecer
Nem adianta o pensamento polir
e nem tentar de novo aprender


Não quero mais voltar
O caminho é reto, sem trevos
Para frente vou caminhar
Aprender tais coisas me dá nos nervos


Esse aprendizado não liberta
pelo contrário aprisiona
Depois que você faz a descoberta
Lágrimas você coleciona


Na verdade você aprende a aprender
É uma certa excelência à ignorância
E quanto mais disso você esquecer
Mais tua vida terá importância


A liberdade é quase que impossível
Nos aprisiona o nosso mundo
Um conselho: faça-te de burro passível
que serás rei num segundo


Conheça-te a ti mesmo
Saiba tu que nada sabes
Já dizia um filósofo grego
E use somente o que lhe cabe


Afinal, o que eu aprendi?
Não sei. Me esqueci
Não quero saber
e nem me lembrar o que vivi

domingo, 14 de maio de 2017

Alguém em algum lugar

Não foi o mais longe que já consegui
Outrora cheguei ao outro lado do mundo
Esta foi uma longa viagem com tudo o que vi
Foi como um mergulho em mar profundo

Ah, que calma!
Ah, que beleza!
Ah, a sua alma
Ah, a sua clareza

Nunca senti aquele frio
Me tornei fã daquele clima
Buzinas sem darem um pio
Todos numa adorável rotina

Os largos e retos caminhos,
terminavam em algum paraíso
Como pássaros em seus ninhos,
num lugar onde voar é preciso

As companhias agradabilíssimas
Aprendi com todos, as suas histórias
De Osho, ditaduras, até aos comunistas
Dos dias difíceis e também os de glórias

Nunca falei tanto
Nem havia ouvido tanto também
Falei até em Esperanto
Diálogos que foram muito além

No final um mestre falou por alguns minutos
Todos estavam ali para vê-lo, dedicados
Um líder que conquistou o coração de muitos
Exceto daqueles que o querem crucificado

Se você fala de paz, você gera a guerra
Se você declara guerra, paz não há
Ninguém anda sem suas próprias pernas
Ninguém possuído de ódio irá amar

O que seria de nós sem um mestre?
E o que seria de um mestre sem os seguidores?
O mesmo que o oeste sem o leste
O mesmo que os lápis sem apontadores

Nos guiaríamos como?
E como escreveríamos?
Andaríamos sem rumo,
e sem leituras, morreríamos

O mestre falou, utopia renasceu
A benevolência enfim ganhou vez
A simpatia mútua só cresceu
E a ideologia ganhou solidez

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Psiu! Silêncio! E não se mexa.


...
...
Você consegue?
Claro! É fácil!
É só a boca fechar
Mas não é só isso
Difícil é a mente “calar”
Agora… Quieto! Imóvel!

...
...
Conseguiu tal proeza?
Fácil parece também
Controlar-se é um bem
Problema é quando não conseguimos.
Da inércia, fugimos
À mente, mentimos
Ao espírito, enganamos
O ficar, fugir
O fugir, voltar
Nunca estaremos parados
E assim se mantém nossa mente
de galho em galho sempre
Já dizia Heráclito
ou Hermes? Ou Frida?
“Tudo se move”
Também Galileo, arriscando sua vida:
“Eppur si muove”
De lá pra cá, aqui ou lá
Perceba quanta coisa se mexeu
Alguém morreu, outro nasceu
Quanta coisa mudou
Ontem uma criança, hoje avô
O tempo não pára
O atleta, uma flecha
O monge, uma rocha
Ambos envelhecem
Os olhos se abrem, o mundo à frente
Pássaros voaram, o Sol despontou
Lábios se tocam, algo se sente
Um belo beijo, à paixão despertou?
No mar, ondas se chocam
No ar, a brisa leva embora
Gritos que ecoam
sons que vêm de outrora
Tudo é movimento
Mesmo parado
Há um momento
Há um estado
Caindo em pé, correndo deitado
Igual a chuva, no velho ditado
Estamos sempre nos mexendo
O universo em movimento está
As estações, estrelas, o clima, tudo
Pensar, imaginar, sonhar
Também é movimentar
Até o estático se move
Se mexe, até o que não sai do lugar
Então pare, sinta, olhe e vá
Veja o que te move
O que se move
Mas o faça
Mesmo sem se movimentar
Apesar de, em movimento estar
Pois difícil é o pensamento parar
ou as galáxias também
Estamos adjacentes a isso
Não sentimos, mas estamos em pleno voo
Permita-se ao vazio, ao silêncio
À quietude, à paz e ao bem estar
Mesmo que por alguns segundos
Vale a pena tentar

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Rio de janeiro à dezembro


A cidade do Rio de Janeiro
Ah! Cidade…
De anjos e demônios és o celeiro
Como Paris, ora é tão romântica, apaixonante
Ora é tão horrível quanto o inferno de Dante
Contudo ainda é completamente bela
A beleza de sua própria natureza
A coragem e a humildade nas suas favelas
Jaz aqui o sangue da nobreza
Realmente uma cidade maravilhosa
O pôr do sol, parecendo tocar o mar
Se esconde rapidinho, deixando saudades
fazendo estrelas brilhar
É o céu mais encantado
Vem o alvorecer e pinta o Rio de dourado
suas avenidas, seus morros, cada lar
O azul mais azul, no horizonte
mescla-se com o verde mais verde
que brota da sua mais viva fonte
Da Ponte mais simpática
ve-se o espelho que a tudo reflete
Desde a mais pesada sujeira
A um senhor de braços abertos, inerte
Mas calma! Por nós ele olha sim
Para o pobre, para o nobre
Para quem usa seda, ou quem usa cetim
Nós é que para Ele não olhamos muito
Os esquecemos por completo
Pois aqui não se pára um minuto
Vivemos como um gado seleto
Seja dentro das indústrias
camelôs, qualquer comércio
A boemia, a religiosidade
O encanto, o desencanto, o céu, o inferno
Rio de Janeiro ainda é a cidade
De verão à verão, de inverno à inverno

O violoncelo


Era uma música
Em tom menor, enormemente compassada 
Rolava, em minha consciência, suavemente
Ora doce, ora muito pesada
Análogo a uma pessoa caminhando vagarosamente
dando largos passos num caminho enevoado
desviando aqui e ali de trevos
e do chão empoçado
Sua intensidade era agradável
Os graves imponentes
Os médios envolventes 
e os agudos instigantes
Era um instrumento só
Algo, ou alguém fazendo uma apresentação
Um anjo solista, ou o mal em auto compaixão?
Seu timbre era capaz de elevar
Tirar alguém do solo, literalmente
Apesar dos imponentes graves, a melodia era leve
Transformava tudo num cenário normal
Apesar da paisagem cinza, inerte
a natureza, o clima, tudo era frugal
Um majestoso instrumento
As cordas vibravam
O arco por elas passava
A cada movimento
meu submetido pensamento 
na neblina se mesclava
Sua caixa acústica recitava notas solenes
Meus olhos marejavam lágrimas perenes
Um dia que nunca tive
Uma caminho que nunca percorri
Uma música que nunca ouvi
Mas que sei que existem
E que meu coração persiste
Segue, sonha, luta para alcançar
E se apraz, como neste momento
Em apenas nisto meditar

sábado, 25 de março de 2017

Sentir na carne

A sociedade está doente
Desde a cabeça até os pés
Há feridos, moribundos e carentes
Tomam desde Rivotril até Dorflex

A longo prazo quimioterapia se faz
Consumindo remédios, fumaça e alimentos
O podre e vil, no corpo jaz
E mais incrível é o seu contentamento

Ácido, monóxido, sódio e até papelão
Morfina, cocaína, dopamina, glúten, zarcão
A sociedade crê estar saudável
pois é... Mas só que não

Nao é só a carne, refrigerante ou cigarro
Há um distúrbio em tudo, é claro
Ovos, frutas, verduras e legumes também
possuem veneno, agrotóxicos e até catarro

Uma dupla domina as mentes:
A mídia aliada à cultura industrial
Estão nas sepulturas​ presentes
dos que carne consome ou vegetal

Consumir carnes, ovos, verduras ou legumes
O fator sociocultural deve ser lembrado
Pratos cheios​ ricos e pobres pratos sem volume
Há quem diga, em Hollywood ou no “rato molhado"

Até a água vem a ameaçar
Bebe-se coliformes, “volume morto”
O pior de tudo, “tem que pagar”
milhares de contas, imposto…

Sociedade dos mortos-vivos
Ela acha que vivem bem
A cada garfada, vida em perigo
E em cada gole também

Não tem para onde fugir
A indústria estará onde a sociedade estiver
Não terá da vida nenhum elixir
Salve-se quem grana tiver

sexta-feira, 17 de março de 2017

Terror

Viver longos dias na escuridão é impossivelmente humano, quanto mais quem já não possui mais seu corpo físico e seus propriedades. Eu não podia falar por durante muito tempo, nem muito menos ouvir nada, nem meu próprio pensamento. Era somente eu, e mais eu, no completo escuro, na completa solidão quando me dei conta de minha situação. Até hoje estou assim… Minha consciência se dividiu em partes que não consigo mais juntar.  Quando tento não sei o que passou, se horas, um dia, ou meses. Eu chorava, me agonizava, sorria de loucura, fingia estar bem, amedrontava-me, enfim... que terror! O eterno terror.

O escuro é pesado ele não deixa você pensar, raciocinar, sorrir, nem chorar. A gente quer fugir, mas acaba ficando preso, porque aqui - e na verdade não sei nem onde estou - o espaço-tempo é relativo. Você corre, corre, corre e não sai do lugar. É como se estivesse querendo buscar água numa fonte em que seu trajeto é infinito, é um destino inalcançável. Você só se esforça e se desgasta e mais nada. Só há escuro, breu. O pensamento lhe acompanha, mas nada faz. Isso quando ele não atrapalha. Ele (o pensamento) lhe deixa à sorte, à mercê de algum milagre. Algo impossível por aqui. Não há milagres no inferno. Você se salva, por aí só ou... Não é fácil atravessar certas cavernas, certos buracos que nos metemos na vida, digo também no pós-vida.

Existe muito escritor, muita gente que fala do medo, cita o medo, faz obras relatando o que é o medo, romanceiam o medo, mas eles não têm ideia do que realmente ele é quando se está sozinho em um lugar irreconhecível, inóspito, escuro, sombrio, frio e sem nenhum barulho. A solidão passa a ser a melhor amiga, a maior companheira. É a coisa mais inteligente que temos ao nosso lado neste momento fúnebre. Pode nos salvar, sim! Mas pode nos matar mais ainda se a cabeça estiver fraca.

Os dias se tornam minutos; os minutos se tornam anos. Tudo é relativo, tudo é complexo, nenhum ser humano, o mais inteligente que se tem na aí na Terra, ou que se teve na terra, conseguiria viver em paz e viver serenamente em tais condições aqui. Nao sei quanto tempo já passou desde quando eu tomei ciência de que já tinha morrido. Isso tudo é uma loucura inexplicável. A mente humana do encarnado, a mente humana e o corpo físico são enigmáticos demais para mentes fracas. O corpo humano é tão perfeito que complica o Ser, de quem faz uso dele em vida. E a mente? É tão perfeita que o ser humano que a carrega, não a compreende nem 0,1% de sua capacidade intelectual, mental ou qualquer coisa de si mesmo. Agora imagina um ser com uma consciência normal, dotada de uma inteligência básica, uma pessoa comum, diga-se de passagem, que está sem as amarras do corpo físico, ou seja, que está solta pelo vasto mundo além-túmulo? Basta pensar, que tudo acontece. Tudo mesmo! Agora, como é que alguém perturbado vai pensar coisa sã deste lado de cá? Não terá paz com sua consciência. Sua própria consciência, a sua própria mente é o agente perturbador. O meu ser, o meu núcleo, o que gera minha vida é algo que me perturba. Isso é tão nefasto! imagine, uma pessoa em completa escuridão, solidão uma hora dessas? Você está em seus lares com suas famílias, não irão pensar nisso nunca e eu desejo que não. Mas aqui… Impossível tentar ficar são. Não cheguem nem perto do que eu estou passando porque não há coisa pior. Então, portanto, sejam felizes! Mas sejam felizes plenamente. Não se enganem, não enganem a si mesmos. Sejam felizes plenamente porque se vier parar aqui por falsa felicidade ou por falsa esperança, por ilusão, egoísmo, vingança, desejos pútridos, o sofrimento terá o tempo de uma eternidade e o peso e a temperatura de dez Plutão.


Por isso façam ações caridosas e vossas orações mesmo para quem vocês não conhecem, ou a quem vocês dirige elas são de suma importância para os desencarnados e para mim também que estou aqui. Essa situação é como se fosse um livro. Vocês quando tem problemas, quando tem dúvidas, quando querem ir em busca de alguma informação técnica de uma atualização ou ajuda, vocês consultam livros, consultam uns aos outros, profissionais, amigos e parentes. Eu, nessa escuridão, no silêncio, vou consultar o que em minha consciência perturbada? Vou chamar qual amigo ou parente para me livrar dessa situação? Não dá mais, já morri e meus parentes e amigos estão do outro lado. Nem entes queridos que morreram antes de mim estão me consolando… Deus é maior, mas Ele não pode me ajudar. Sendo que eu não quero ser ajudado. Ninguém pode me ajudar a não ser eu mesmo. Já clamei por Deus, Jesus, e… nada mudou. Eu cheguei a conclusão de que preciso mudar a mim mesmo em primeiro lugar.Mas é muito difícil. O apego, a luxúria, o prazer… O ego… Minha mente ainda está muito nebulosa. Não estou sadio. E pelo que percebo estou sem fé alguma. Minhas orações e pedidos de socorro são da boca pra fora, eu sei. Sou fraco. Mereço isto tudo aqui. Realmente ninguém virá. Não tenho condições e ninguém tem condições nessas horas. Dependemos de vocês aí. De vossa intervenção. Intermediem então. Me aliviem as dores. Uma luz de vossas orações que chegue aqui já é uma distração. Por favor, orem por mim, por nós aqui nesse inferno. Nos ajude e não nos tirem como o maus espíritos. Somos seres, fomos humanos, somos ainda uma consciência que deixamos a vida material.Deixamos nossos problemas físicos e entrelaçamos em outros espirituais. Todos nós temos problemas. Hoje estamos nós aqui, já amanhã estarão vocês aqui. Desejo que não, mas do jeito que a humanidade se encontra, do jeito que a humanidade caminha, tudo leva a crer esse lugar que ficará abarrotado de vocês, com almas opacos, perdidos, precisando de ajuda. Dá ajuda que eu imploro. E nós aqui não podemos nos ajudar. Não! Porque nós aqui não conseguimos enxergar uns aos outros e nem ouvir uns aos outros. Nem sentir. Portanto, repito: dependemos de vocês e vocês dependerão de seus próximos, no futuro. Orem por nós.

Uma eterna gratidão de um ser sem luz e sem ninguém e sem nem a si mesmo para poder seguir em frente. Quero muito sair daqui orem por mim.

Castro.

Eternamente...

Olha meu jovem,
Um belo dia a idade “me pegou”. Havia chegado o tão esperado e pavoroso momento. Pavoroso, porque, ninguém trata esse assunto com esperança ou positividade. Já eu, não vejo-o desta forma. Então, eu estava bem ai - na terra onde pulsa os corações - e me levantei da cama. A alvorada estava despontando e me direcionei ao meu acalentador quintal, com meu pequeno e colorido jardim, os pássaros, algumas galinhas, etc. Vinha por aí, então, uma manhã tranquila e fresca. Começou a sair um belo Sol onde tudo brilhava ao ser tocado por ele. Sentado na minha cadeirinha, no meu quintal dos fundos de casa, eu apreciava minha pequena horta e o amanhecer; minhas pequenas árvores, que eu e minha mulher plantamos; as galinhas já cochichando, o meu cãozinho estava quieto me olhando abanando o rabo querendo brincar; tudo estava tão quieto, pássaros já ensaiavam as primeiras notas de seus cantos… Pois bem, tudo rotineiro, porém, tão sublime!

Minha mulher dormia no quarto. Meu filho e netos moravam em outra cidade. Nesse lar, somente eu e minha mulher. Mas então… Eu me sentia tão bem, tão leve, tão feliz que… Um vazio me veio de surpresa. Não um vazio deprimente, algo solitário, angustiante, não! Mas um vazio sereno, pleno. Nada me enchia mais e nada mais, também, havia de me preencher. Sem ansiedade, sem preocupação, sem depressão, nada! Aliás eu nunca havia sentido essas “doenças” modernas, que esteja bem claro. Então, naquele momento, no meu pequeno quintal, eu simplesmente era eu. Pleno!

Pois bem, nessa hora, parecia o Sol ter se aproximado um pouco para me desejar ”bom dia”. Não pelo calor, que a essas alturas derreteria tudo, mas pela luz imensamente forte que se fez ao meu redor cobrindo toda a casa - pelo menos até onde pude ver. Flores caiam sobre mim, chovia pétalas, folhas; que coisa mais linda!; os pássaros cantarolavam ao meu redor. Eu levitava: tinha a disposição de um jovem atleta; a felicidade de uma mãe na formatura de seu filho; a serenidade de um monge budista... Tudo isso somava-se a mim. Aquelas dores chatas, que vêm com a idade? Realmente foram-se embora. O que mais eu poderia achar? Pronto, morri! E fiquei procurando meu corpo pelo chão do meu quintal. E nada. Mas era tanta luz ao meu redor, que, mesmo que eu quisesse, nunca ia achá-lo. Eu só via as flores, as árvores, alguns pássaros, insetos voando, aqui, acolá, enfim a vida, a beleza da vida. E eu falei comigo mesmo: ”a morte traz essa felicidade toda? Essa leveza, o Sol bem pertinho? Não, não creio. Deve ser delírio, ou algum sonho muito intenso. Deve ser a idade, ou alguma droga”.,
Olhei para cima e vi o céu bem mais azulado que de costume. O verde, a mata, a grama, as flores, reluziam! Elas emanavam algo como se fossem uma espessa fumaça cintilante - ainda pensei: “será que fez frio nesta madrugada, para estas folhas degelassem tanto assim com o sereno?”
Meu caro, tudo onde eu olhava, parecia o “Mundo encantado da Disney”. Eu não esperava aquilo tudo realmente. Contudo, retornei para dentro de casa para descansar, achando ser alguma fraqueza, ou alguma coisa da cabeça já cansada, de quase um século de vida. Passei pela varandinha, entrei na cozinha, com meus passos que estavam leves e ariscos. Havia uma disposição, que… Eu parecia ter pulmões de quando eu tinha dez anos de idade - só que a julgar minha idade, as coisas já não eram bem assim. Mas naquele momento, eu estava sem peso nenhum. Com uma alegria plena que eu já vinha sentindo há alguns anos, isso de fato foi notório. Eu sempre fui feliz. Ora uma dor aqui, ora uma tristeza ali… Mas o ser humano não está.livre disso. Há sofrimentos. Mas há graus nesses sofrimentos. E que manipula estes graus, somos nós mesmos.
Então, adentrando-me em meu lar, com meus caminhos sempre iluminados, depois que o Sol “baixou-se” para mim, eu avançava para meus aposentos; minha humilde casa, parecia estar envolta a um grande e brilhoso diamante; os móveis, objetos, tudo, pareciam de ouro também. Até que, para minha surpresa, eu entro no quarto e me flagro lá, dormindo ao lado de minha mulher. Oh, minha velha guerreira, companheira, cúmplice, amor da minha vida. Fiquei confuso nos primeiros minutos, mas logo compreendi. Chegou a minha hora. Eu tinha desencarnado e pela minha aparência, havia sido há algumas horas, bem antes de amanhecer, quiçá a noite logo assim que me deitei. Fiquei ali, me despedindo de minha mulher e de meu corpo afinal… Foram 89 anos... Agora ele dormia, meu corpo estava dormindo sim, para a eternidade. Mas eu, a minha consciência, o meu caminho, o “eu”, permaneço mais vivo do que qualquer ser encarnado.

O amor à minha mulher não me prendeu na Terra. Pois eu já sabia que, logo, logo, iríamos nos reencontrar e que ela ia aceitar minha partida primeiro sem nenhuma dor. Nem meu filho me preocupou, nem meus netos, amigos e etc. A dor que meu filho irá sentir com minha perda, eu também senti com a de meu pai. E sei que ele é forte e superará a tudo. E em relação a estes tipos de dores, de perdas, o tempo cura. Meu filho está criado, bem sucedido, e tenho orgulho dele. Vive com uma mulher maravilhosa. Assim como meu netinho.

Nada me prendeu à Terra. Até meu cãozinho, consegui deixá-lo, sem apego, sem saudades. Amigo companheiro de todo instante. Onde eu ia, ele já atrás, mesmo depois de morto. Tadinho, ele ainda me vê! Mas tenho de partir.

Na verdade sei que não deixei ninguém, nem sequer, minha mulher, filho, neto. Nao deixamos nada para trás, não é bem assim. Não dá para esquecer as coisas, como se fossem algo descartáveis. Tudo trago comigo, tenho todos comigo. Foram longos anos vivenciando um ao outro, amando, sendo amados. E não sinto saudades, a qual faz sofrer, por que sei que um dia retornaremos; um dia estaremos juntos e a vida voltará, a felicidade transbordará, querendo ou não. E tudo passa tão rápido… Logo estaremos de volta.

Então eu não irei para o além com nada em mim. Irei vazio. Um sublime vazio; não deixarei ninguém, não estou sendo frio e insensível. Pelo contrário. Estou certo de mim e o que digo é apenas um “até mais tarde”. Não lamento perdas materiais, nem nada do tipo. Enquanto houver Sol, haverá vidas. E vidas vão e vêm, passam, se vão, mas elas marcam. A marca fica e as nossas vidas se esbarram por aí nesse complexo mundo. As “marcas” que ficam, se atraem, e se reconectam, desfazendo toda a complexidade.
O Sol, o mesmo que brilhou pra mim, sempre nos refletem, uns aos outros, e transforma-nos em uma imensa família, um todo. Onde todos nós somos os filhos do mesmo Criador, onde todos nós, como num ciclo, estamos sempre nos encontrando, sempre revivendo os melhores dias das nossas vidas marcados para sempre.

Até a próxima meu grande irmão.

Carlos, um espanhol.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A guerra eterna...

Eu estava dividido. De um lado meus aliados. Do outro os meus inimigos. Mas ora meus aliados poderiam me matar, caso eu me enfurnasse no abrigo.

Eu estava na guerra mas não queria lutar.
Não queria dar um tiro não queria morrer e nem matar.

Só que, ou eu matava, ou eu morria. 
Eu tinha que ir em frente.
O inimigo matar.
Ou seria morto pelos próprios colegas de farda.
Caso eu quisesse da guerra voltar 
(Essa é a lei dos cães de guerra: “atacar!!! se voltar, eu mesmo te mato”)

Eu lutava por uma potência bélica
Alemanha Nazista
O exército mais temido da época
Mas eu não queria estar ali, de verdade.
Eu queria meu lar, o campo;
Estar com minha família;
Apreciar o Sol se pondo...

Pois o que eu vi na guerra foi somente sangue.
Não há nada de belo na guerra.
Nem a sua conquista é bela;
Pois quando se olha para trás,
Se vê um rastro de sangue,
Corpos, escombros e nada mais.

Na guerra, o vermelho e o verde-oliva se combinam; as flores exalam um delicioso cheiro de pólvora; todos, lindamente, dançam à música dos tiros; a raiva e a graça se unem e deixam de ser inimigas.

Perdi amigos, perdi um amor, família...
Perdi a mim mesmo.
Enquanto eu estava vivo, eu era um morto.
Agora que eu estou morto, na verdade me sinto vivo.
Pois na guerra não somos humanos, não somos mais homens. Somos mortos-vivos que atiram. Somos monstros, assassinos, sanguinários, que só pensa em matar, e matar, e matar… Mata-se sem nada saber.
Mesmo quando se sabe, ainda se mata perguntando ”por quê?”

Os coronéis e generais estão lá comendo lagosta.
Se embebedando com os mais caros e melhores vinhos.
Nós, soldados, parecemos umas moscas,
Passando por milhares corpos pelo caminho.

Eu estava no centro nervoso do inferno. O “Füher” estava há algumas centenas de metros de mim. Eu o defendia. Eu defendia Berlim. Minha missão não podia deixá-la ruir. Mas o meu pelotão foi arrasado e eu fui o primeiro a cair.

Anos antes eu pilotava um “Panzer” - tanque de guerra alemão. Tivemos de retornar após à “recuada” de Saltingrado. O contingente diminuiu brutalmente. Além das forças soviéticas, o frio intenso também fez muitas vítimas. Então, de 1943 à 1945, fiquei nas forças de defesa do próprio Füher. Eu já havia sido treinado. Tiros à média/longa distância. Designaram-me a reforçar as defesas da excelsa Berlim.

A invasão a Berlim, foi em 1945:
Foi onde tudo começou, (ou terminou), para mim.
Foi, para os inimigos uma devastadora conquista
Foi, terrível, mas libertador a chegada do exército comunista. 
(Na verdade que alívio!)
Eu não ouvi o tiro, nem soube de onde veio.
Senti um estalo muito forte em minha fronte; um zunido no ouvido muito alto e…
Fim da guerra para mim. 

Mas para o resto do mundo ela estava próxima. O fim da vida sofrida, animalesca. Enquanto os soldados morriam, viravam lixo, Marechais, Coronéis, bebiam champanhe, comiam lagosta.

Mesmo já abatido, eu pude ouvir os os soviéticos nos intimidando.
Eles não pareciam nada amistosos.
Estavam Furiosos, com os olhos sangrando.
Naquela hora, eu não sabia, mas já estava morto.
Mas minha mente achava que o tiro fora de raspão.
Fiquei ali clamando por um médico, por socorro, pedi até perdão.
Fiquei nesta situação por uns dez anos.
A guerra passava na minha cabeça como um filme sem fim.
Eu criava todas as situações. Imaginava a tudo.

Chegou resgate, com certeza um anjo salvador, mas eu não queria, mesmo que eu quisesse, não conseguiria sair daquele lugar. O medo me tomava. Medo de tudo, de mudar, de me virem, medo de me tornar uma pessoa comum, medo de… morrer - sim, eu cria ainda estar vivo fisicamente. A morte é uma coisa muito complexa, muito enigmática. Pois você morre fisicamente, mas mentalmente não. Mas o pior disso tudo é quando você nada disso tem noção. A morte não existe. Algumas coisas sim, terminam, materialmente, fisicamente, mas a essência mesmo, nunca, jamais, principalmente o medo.

Depois que você veste a farda, tua identidade é rasgada.
A vidinha que você sente falta, termina.
Depois que você volta da guerra, se é que volta, você sente falta dela. É tudo ou nada!
O mundo real não mais tem graça ou qualquer valor.
Estou sendo contraditório, mas é a realidade.
Enquanto em guerra, sonhamos - com nossa casa, mulher, filhos, com o amor...
Fora dela (guerra), desejamos​-na - como um moribundo deseja morfina. Sente falta do cheiro de sangue, das explosões, da adrenalina, do gosto amargo do fel.
No campo de batalha, ou nas trincheiras, até mesmo no quartel general é assim: morra ou fique doente mental.
Essa é a realidade, essa é a guerra. É letal!

Sobre mim, eu morri sem dor:
Tive de atirar contra o exército vermelho. Um tiro sem ódio, sem rancor. (Olha, se for pra ser assim, não entre em guerra).
Então atirei a esmo. Sem pontaria, sem mirar em nada.
Não devo ter atingido nenhum “camarada”.
Mas o tiro deles foi certeiro, e que me livrou de certa forma.

Os “Comrades” tomaram toda Berlim.
Fizeram milhares de prisioneiros de guerra.
Executaram outros nazistas,
E extirparam todo o mal da terra.

Mesmo depois de morto, eu ainda estava em Berlim.
Meu pobre espírito… Atormentado.
(Como​ já havia vos comentado)
Ouvia ainda muitas canções soviéticas.
A comemoração daquela guerra e seu fim.
E o sorriso de cada soldado comunista por sua luta.

Vi também muitos soldados abatidos, corpos e mais corpos. 
Feridos, mutilados… Mas estranho, pra mim.
E eles estavam “vivos” e não conseguíamos nos comunicar. 
Óbvio, foi então que vi que éramos defuntos!
E tudo veio a calhar.

Rogo para que todas as nações fiquem em paz
Rogo para que cada cidadão viva em harmonia um com o outro
Que não haja nenhuma desavença e nenhuma discórdia. 
Nenhuma disputa, nenhuma guerra.
Pois só eu sei o que vi;
Sou eu sei o que eu passei;
E o que a guerra fez comigo;

Não adianta falar aqui sobre a violência contra a vida
O que aquela guerra fez com ser humano
Não preciso mais falar do sangue escorrido,
Das mutilações, queimaduras e cérebros destruídos.
Isso já é mostrado todo dia.
A maldade... a que ponto chegou a maldade humana?

O exército vermelho que eu achava selvagem
Quando chegaram em Berlim, pareciam anjos de verdade.
Não adianta lembrar as atrocidades da “SS Nazista”;
Nem do ódio ao povo judeu;
Isso tem de ser esquecido e temos de orar por um novo dia, peçamos a Deus! Por Novos Tempos; para haver somente um reino, o da paz.

Morri em 1945, mas há pouco, - tempos atuais - creio que por volta de 2012, fui resgatado por anjos do altíssimo. Pois realmente aceitei minha condição, roguei ajuda com todo amor e resignação.

Nessas décadas todas, vaguei muito por um lugar que, comparado a guerra, era o paraíso. De “Dante Alighieri”, o “Purgatório”. Conheci tudo isso de ponta à ponta. Um paraíso! Comparado à Europa da II guerra? Luxo! Tudo é muito relativo. Céu e inferno é tão relativo quanto o tempo.

Fui soldado do “Heer” (ou seja, exército Alemão). Primeiro na IV Divisão Panzer (conhecido também como “PzKpfw IV”); anos depois, alocado à Wehrmacht (Força de Defesa Alemã). Nosso símbolo, era uma cruz, reformulada, da pavorosa “Cruz de Ferro” usada pelo III Reich. Eu e mais aproximadamente 18,2 milhões nazistas servimos ao Wehrmacht.

Eu era um Cristão Ortodoxo. Ninguém sabia. Resisti até o último dia da guerra. No tanque eu apenas pilotava. Havia um atirador. Logo nunca dei um tiro nesta guerra doentia. No máximo eu devo ter atropelado alguns feridos, já em estado terminal, ou aqueles o que se fingem de mortos no campo de batalha… Em determinados lugares, não havia mais caminhos, ruas, etc… A trilha era um monte de corpos, sim! Eram os asfaltos daquela época. Depois disso, eu fui transferido, e defendi Berlim. Eu nunca havia usado meu rifle de longa/média distância em nenhuma ocasião real. Berlim viveu sob respectiva “paz” por longos anos. Mas do “Dia D, até a invasão dos soviéticos é que as coisas ficaram tensas. Tanto é que foi o fim da Alemanha Nazista.

O “inferno vermelho” chegou, então, em Berlim e com ele muitos óbitos. Cidadãos, militares, animais, insetos… Todos morriam. Devastou-se tudo. Quando chegou a minha vez…. Enfim, descarreguei toda minha munição, em nenhum alvo. Eu não queria matar ninguém. Mas descarregaram todo chumbo em meu batalhão, em meio aos palácios do Füher, já sendo destruído por tanques e artilharia de infantaria pesada.
Vi muitos se suicidarem, pois creio, igualmente a mim, muitos daqueles jovens não tinham ideia do que faziam ali, ou do porquê da guerra. Bastou ela bater em nossa porta que...

Fiquei por décadas me chamando de covarde, de impostor, de fraco, por não ter enfrentado o inimigo, ou querer ter fugido da guerra. Eu não me dispus a servir como piloto de tanque, mas na época achava que era apenas para segurança nacional. Jamais imaginei tais proporções. Nunca achei que eu ia de fato pilotar um tanque. Inocente… Muitos anos me condenando… Eu queria me matar, mas não podia. O pior de se ter a consciência​ pesada depois de morto é essa. Não há mais mortes, não há como subtrair tua própria vida.

Por favor, clamemos por, paz. À Jesus, Nosso Senhor, aos seus Anjos… Só eles têm esse poder, em nos assistir. Vamos lutar, mas por paz. Sejamos unidos e sejamos mais humanos. Chega de Guerra. Por favor! Caridosamente, paz.

Nao lembro meu nome. Mas no pelotão eu era conhecido como “Einzel 36” - ou seja - O individual, assim que cheguei em Berlim, após eu deixar a posição de piloto de tanque. “Einzel” também se dava pelo fato de eu ser solteiro. A palavra também possui esse significado. Mas na verdade eu gostava muito de servir sozinho, como os famosos franco-atiradores. Eu ficava muito sozinho realmente, na guerra. Nao tive amizades. Apenas colegas de fardas. Como atirador, eu escolhia um lugar e ali permanecia por dias… Minha pontaria era excelente, à média distância. Mas eu não era um atirador da elite nazista. Até fui treinado para tal, após o remanejamento da condição, (solitária, diga-se de passagem), de piloto de tanque. Por isso meu nome de guerra, “Einzel 36”- a dezena​ 36 era o número do tanque qual eu conduzia.

Minha identidade verdadeira se foi quando vesti a farda em nome do Füher. Depois de minha morte, passei muitas décadas perturbado e revivendo a guerra todos os dias. Como, só me chamavam por “Einzel”, pois bem, assim ficou meu nome. Prefiro esquecer o que já fui.

Eu tenho poucos registros em memória do que me sobrou no pós-guerra. Do que fui, do que fiz. Esta​ avassaladora guerra, onde há mais doentes da cabeça e da alma, do que feridos por bala de fogo. O que consegui lembrar, com muito esforço e ajuda celestial, está aqui sendo registrado.

Nenhum ser humano, nenhum animal, vegetal, nada merece a guerra.

Fiquemos em paz.