quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Corrupção Virtual

Era um grupo de pessoas. Na sua maioria adultos. Pessoas formadas, trabalhadoras, bem orientadas e gozando de boa saúde. Todos com suas belas famílias, muitos país e mães de filhos, outros somente filhos e, todos já com responsabilidades perante aos que lhes são próximos e à sociedade. Mas dentro desta sociedade, estas pessoas criaram um grupo. Com a ajuda da tecnologia, da internet e uma ferramenta de comunicação, eles criaram um grupo onde pudessem conversar, ou seja, o lazer e a descontração na palma de suas mãos. Hoje, todos os que possuem um aparelho celular, com internet e um aplicativo para comunicação instalado, estão em algum desses grupos. Com certeza! Para diversas finalidades é até aceitável, e realmente, adianta a vida de qualquer um que precisa se comunicar.
Foi um grupo de estudos. Criado para que todas estas pessoas citadas acima pudessem se expressar, comunicar eventos, palestras, debates e coisas do tipo. Claro, rolava umas piadas, até umas paqueras, papo descontraído, uma animação só, mas tudo focado na ciência ali que os uniam.
Os criadores do grupo, chamados de administradores, convidaram diversas pessoas. Quem estivesse interessado a participar do grupo era só pedir que em minutos já estava inserido. O limite de usuários foi informado: não havia mais como incluir ninguém. 256 pessoas. Diversas cabeças, diversos estilos, todos com um único intuito. A afinidade era a mesma. O grupo tinha um nome bem peculiar e só entrava quem era convidado pelos demais e ainda assim tinha a aprovação da administração.
Os administradores enviaram algumas regras ao grupo, para não perderem o rumo e manterem todos com o mesmo propósito do seu início. Criaram um código de ética e conduta. Normal (apesar de, ainda, nos dias de hoje, século XXI, um grupo de pessoas ter de ser alertado, ser avisado de que haverá banimento, ou “puxões de orelhas” àquele que vier ofender, ou que venha a cometer um ato que possa prejudicar ao próximo, é um tanto surreal. Seria a mesma coisa ter de ficar lembrando a alguém, todo santo dia, que estupro é crime; que é um ato violento, horrível... Mas, enfim… O século se adentra rumo ao infinito, e o ser humano se adentra à regressão). Mas considerando o fato, houve-se entendimento e todos se declararam de acordo. Inclusive os próprios criadores do grupo estão sob este manto justo e igualitário, vale lembrar.
Primeiro dia, um administrador manda uma mensagem a todos: “Favor evitem comentários sobre FUTEBOL, POLÍTICA E RELIGIÃO. Sem ‘putaria’ e mensagem de bom dia” (Realmente essas mensagens de bom dia é um porre!). Nos outros dias, esse aviso rolou novamente na tela de todos os participantes. “Favor evitem futebol, política e religião, sexo…”.
Conversa vai, conversa vem, entra madrugada, amanhece o dia e um desavisado, - ou porque não leu as regras do grupo, ou se esqueceu, ou inocentemente - mandou uma mensagem em uma linda imagem: “Excelente fim de semana a todos. Que Jesus lhes abençoe”. Todos reclamaram, os administradores logo se posicionaram e a situação foi resolvida. O participante se desculpou e prometeu não repetir a atitude. (Tomara que ele tenha aprendido que não era somente para aquele grupo em questão. Que ele entenda que mensagens de bom dia é chato pra cacete e imagens virtuais “pesam”, ocupam lugar no dispositivo, e custam grana, pois muitos utilizam serviços de de tráfico de dados de alguma operadora. Tudo bem, é só não baixar a imagem, sabemos, mas é escroto pra cacete mensagens de “bom dia” em grupos).
Mais uma semana, e um outro desavisado, - ou por ter se esquecido, ou outra coisa qualquer - solta sua mensagem no grupo: “meu time é campeão! Os adversários podem chorar”. Mais uma vez houve uma comoção e até outros mais abusadinhos, responderam, ignorando toda a ética e a regra do grupo: “meu time que é o melhor, sai pra lá”. Houve novo alerta sobre as regras, muitos se indignaram, mas chegaram a um novo consenso e prometeram não mais mandar nada sobre futebol.
Amanhece. Já havia se passado um mês desde a discórdia sobre título do clube de futebol carioca no grupo. Mas uma nova notícia havia caído como uma bomba nos jornais e telejornais do país, na última madrugada. Milhões de reais foram descobertos na casa de um político. A pouca vergonha caiu nas redes sociais de todas as formas. Piadas, revolta, textos imensos… Algum administrador desavisado, ou porque não leu, etc, etc e etc, (mas se foi ele quem criou as regras… [?]) jogou uma imagem no grupo. A imagem era de um político. Mas não a do verdadeiro político que havia guardado milhões de reais debaixo do seu colchão. A imagem era de outro senhor. Só que o haviam associado aos milhões de reais encontrados no apartamento. Não se sabe se por falta de informação, de uma leitura mais acurada, interpretação de texto, óculos, atenção, qualquer coisa… Mas a imagem do político lançada não tinha nada com o outro que foi acusado de sonegar dezenas de milhões de reais.
Voltando ao grupo… Não só a imagem que foi o problema e sim o texto que ela continha. Pois é, o texto “falava de política”.
A imagem lançada no grupo foi a imagem mais comentada e a que mais incitou piadas em toda a história da internet somente dentro daquele grupo. Foi algo assim surreal. Havia pessoas que riam tanto, que a quantidade de letra “k”, em sequência, era tanta que o aplicativo travou. “Kkkk...” seria uma espécie de onomatopeia: o som da gargalhada na internet. Os servidores da empresa que entregava o serviço ao usuário final, queimaram. Com isso começou uma zona. Eram tantos textos falando mal do senhor político da imagem, que a sensação era de que se estava numa guerra entre Iraque x EUA. Mas estranho foi o fato de o verdadeiro político que foi encontrado com o dinheiro ter saído “ileso” dessas revoltas e piadas todas.
A palavra mais comum que rolava na tela do dispositivo era “corrupção”. Nessas horas realmente a sociedade, os trabalhadores, o povo parece estar acima do bem e do mal. Tudo o que ele diz, contra o sistema, é puramente lúcido e altamente plausível. Mas infelizmente este é tomado por uma opinião rasa, sem muito critério e completamente parcial. Pura ilação. E essas pessoas, não diferem de mim, de ti, dos participantes do grupo e também dos administradores.
Mas um dos usuários se pôs contra a opinião de todos. Ele conseguiu enxergar a relação entre a imagem do “político A”, com o outro “político B” dono dos milhões de reais. Ele também lembrou que houve injustiça, que as regras não foram seguidas conforme combinado. Uma vez que RELIGIÃO e FUTEBOL foram logo censurados. Já a conversa sobre POLÍTICA, por sua vez, não foi questionada, lembrando que estava na regra. Mas este usuário foi expulso do grupo.
Há três problemas ai. Um, o fato de terem ignorado a ética para com o assunto política; dois, a não punição para com o autor desta questão. Seria o fato de o assunto “política” ter vindo diretamente de um dos administradores? Ou criaram uma nova regra, liberando o assunto “política” e não repassaram ao grupo?; três, a punição completamente equivocada por parte do administrador e do consentimento dos demais. Enfim, isso é ridículo, pois se trata de um grupo de internet. Pessoas que, apesar de suas qualidades e valores, não estão no controle, no comando de uma nação, ou sequer uma comunidade de fato. É apenas um grupo de internet...
Todos reclamam de corrupção. Todos querem seu fim. Ninguém mais suporta este ato. Isso se deve ao fato de o corrupto, passivo ou ativo, estar mexendo no bolso do cidadão. Sim! Quando o bolso fica mais leve por estes e outros motivos criminosos, a histeria é colossal. Agora, quando o corrupto se torna o justo, o reclamão, o cidadão que não aguenta mais tanta roubalheira vinda do alto escalão, como fica?
Tomemos, por exemplo, este grupo de internet e transferimos-la ao peso de uma nação. Os administradores são os governantes, reis, parlamentares, líderes, capitalistas, seja lá o que vocês tenham em mente sobre quem controla, na verdade, um país. O povo, os súditos, são os demais usuários. Há leis, ou seja, regras impostas já pelos administradores; punições, julgamentos, méritos, eleições e etc. Enfim, tudo conforme o modelo de democracia como a república brasileira.
Este cidadão, agora é um líder. Controla uma nação. Está para consigo o poder. As leis e as ordens vem de seu andar. Agora este cidadão goza de uma cobertura, de luxo e regalias. No seu caso, para sua nação, são apenas três leis simples: Não falar, em público, sobre política, futebol e religião. O que houve durante o seu mandato, como líder da nação, foi uma transgressão às suas leis. Em dois casos sua intervenção foi cirúrgica. No terceiro e último caso, foi totalmente injusto e nitidamente uma falta de controle e critério para com todos.
Há corrupção. Fato! E ainda, a punição foi aplicada de forma incoerente. Pena esta que cabia ao seu próprio líder, pois além de ele ter mandado prender um cidadão (ou no caso virtual, ter excluído o usuário) ele ainda saiu ileso de um crime que ele próprio tinha ciência de que cometera. O que fazer quando o governante de um país transgride a própria lei? Neste caso, seria, a justiça, o que convém ao forte? (Sócrates discorda, em A República, Livro I, de Platão); ou seja, só há justiça, só há consentimento quando ela favorece, ou convém a quem tem poder?
Sem contar a distribuição de cargos (relação dos administradores do grupo), se dá somente àqueles que estão próximos do líder, ou, àquele que convém ao líder tê-lo do seu lado? Como um cidadão comum pode vir a se tornar um líder? Sabemos que há corrupção. Justiça só é feita quando convém ao governador geral desta pequena nação, logo… E aos que ameaçam o cargo, ou a integridade do líder? Por exemplo, houve um questionamento sério, lúcido, embasado, sob provas cabais, de que algo havia sido distorcido da realidade imposta. Só que quem distorceu as regras foi o líder. Pode um cidadão derrubar um líder nesta pequena nação fictícia? Lembrando que a justiça convém ao poderoso…


A corrupção está presente até nos simulacros do dia-dia de cada cidadão, mais simples que ele possa ser. Não precisa nem ser presidente, líder, governar nenhuma nação, comunidade. Basta apenas ter o poder, basta apenas “estar sobre”, que ela acontece. “O que convém” é o que está em pauta. O que é “melhor para” é quem decide o que é certo e errado; mentira ou verdade; criminoso ou inocente. Há corrupção até entre duas pessoas numa disputa de “par ou ímpar”, infelizmente. A desonestidade é um mal atuante, silencioso. Ele cega. Torpe os sentidos. Há aqueles que tem noção e mesmo assim o pratica. É gerado um prazer, uma satisfação tal para cometer esse ato, que não importa quem seja, onde esteja, que este crime, ou seja, a corrupção, tem de ser praticada. Coitada da nação em que os cidadãos reclamam da falta de honestidade, mas quando eles viram as costas são os primeiros a praticá-la, seja contra quem for, do jeito que for e a seu imenso prazer.

domingo, 3 de setembro de 2017

De fato a ventura não mora em mim


Eu sou um poço de amargura
Um ser beirando a insanidade, algo sem cura
Dizem: “coisas simples, diversão sublime;
a felicidade mora nas pequenas coisas”
Então, sendo assim, eu sou muito grande
Um cego à graça da vida
Nem se dono de toda riqueza eu fosse
Há escassez de gana
Nulo desejo para sorrir à vida
É tudo ilusório, falso
Tal qual no deserto caminhar
Com tudo o que ele representa
Mas delirar, banhando-se num lago
à sombra, no conforto destinado aos reis
Se é assim num deserto de areia
o mesmo se dá nos gélidos alpes
Lá de cima, onde tudo é cinzento e congelante
Iria uma miragem me aterrissar num belo campo
Em algum lugar ensolarado, na mata, regado de flores
Mas nunca, de fato, estarei num lugar assim
Onde eu realmente quero estar, sem quimera
Não! Estou sempre no oposto, na contramão
Então por que não dirigir no fluxo?
Não seguir em boa direção?
Nada que se deseja, se faz corretamente
estando, seja quem for, privado da razão
Confiaria em alguém desprovido de sensatez?
Mas, mais uma coisa…
Não cabe a ninguém a julgar o próximo, não é?
Quem és tu, quem sois vós, quem sou eu
para tomar alguém como louco?
Pensemos…
Mas de nós mesmos sabemos
Eu, somente eu. Tu somente tu
Cada qual sabe, no íntimo, de si próprio
Logo, cabe a nós tal conjectura
Eu sei o que sou
Eu sei o que de mal faço
De bem nada me restou
De anjo não vejo nenhum traço
Concluo escrevendo às escuras
Termino estas palavras sem nada enxergar
Ando no chão, com a mente nas alturas
Alço voos, com o chão a me esmagar
Cego à graça da vida
Impossível chegada
De uma difícil partida

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A (re)negação

Após algumas leituras de autores como Fiodor Dostoiévski, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud, tentei expor, no papel, É CLARO, algumas coisas que me impressionaram, alguns temas tratados por estes estudiosos, filósofos, de maneira tão normal.

O extremo, ou alguma coisa que simulasse a dor maior ou qualquer ameaça à vida não é nenhuma leitura agradável ou de se louvar. (Apesar de ainda eu entender coisas do tipo. Pois, para mim, arte não está empregada só em flores e céu azulados com lindo Sol, sorrisos e leveza).

De fato é muito estranho desejar a auto-destruição. O desejo de acabar consigo mesmo, ou com sua própria essência, é insano demais. Mas isso acontece e são atitudes que levam a outras ilustres pessoas a se dedicarem, às vezes, a vida toda, estudando tais atos a fim de elucidar a população, aos demais, e também tentar de uma forma diminuir isso. (Na verdade o homem quer sempre vencer a morte, quer burlá-la, tornar-se Deus. "Trágico, se não fosse cômico")

A morte, diga-se de passagem, poeticamente falando, nao é necessariamente dar cabo à vida material. Pode ser tratada de uma outra forma. Pode simbolizar outro aspecto, pode significar o fim para varias coisas abstratas também. Ou alguma coisa material na vida de alguém. Ou, até mesmo alguém de fato. Que é o mais lamentável. 
Sobre esse tratamento para com este fenômeno terrível para quem está vivo, muitos, alguns gênios, na verdade, o fazem através da música, da pintura, da dramaturgia, cinema, ou na própria TV, (e em horário nobre. Até ao vivo a morte é transmitida...)

Aqui tentei expor algo sem cabimento, alguma coisa inimaginável dentro de uma mente sã (ou não?). Assusta, mas... É a vida (ou a morte) e repito, muitos fazem-na, tratam-na, como arte. Vide os autores que citei acima.
Lamento trazer-vos esta obra tétrica, funesta...
____

Aquela vontade de morrer...
Chega! Não aguento mais padecer
Sumir deste mundo salutar
Nunca mais aparecer

Doloroso será
ver a perfeita natureza de mim se afastar
O céu azul, o verde das matas
O mar, os rios
A fauna, a flora
Tudo onde o homem não pôs as mãos
Sentirei apenas por isso quando eu for embora

Eu sou a doença
Eu não tenho cura
Não adianta nenhuma crença
Nem nenhum ato de bravura

O alívio da melhora
A alegria que sucede a dor
Esforço não se requer para a cura
Não carece rezas ou simpatias
Tudo muda após a partida
Sozinho sem peso, sem culpa

Ninguém me contaminou
Ajudar alguns até tentaram
Sou o pior do que sobrou
O inútil que todos notaram

A invisibilidade impossível
É o sonho deste ser
Passar despercebido
Iluminado pela sombra
Escoado ao lugar mais calmo do mundo
No subsolo da Terra esse é o clima
Onde jaz apenas esculturas sobrepostas
Embelezando o cenário sete palmos acima

Não culpo a ninguém
O mundo é perfeito e belo
As pessoas o são também
Apenas crio para mim o inferno

Diversas tentativas, como num jogo viciante
Desde psicanálise, drogas, psicotrópicos
Até a Bíblia, guias e impecáveis roupas brancas
A derrocada é notória
Tal qual o ácido quando beija o estômago
Proveniente da latente alma inglória

Não consigo fazer nada
Desnecessário, não produzo, nulo causo
Uma vida desperdiçada
Viajante do caminho falso

Quando o espelho reflete a dor
Tudo ao redor se quebra, se despedaça como vidro
Mas continua intacto este objeto que a retrata
Eternizando a penosa imagem
Tão repulsiva quanto ratos e baratas

Não consigo mais me enganar
Nem a qualquer pessoa
A falsa vida há de acabar
Levada por uma pesada e lenta garoa

À uma formosa caminhada, difícil fica
O cérebro ganha peso de chumbo
O coração friamente se petrifica
O peito, no cais do báratro se ancora
A gravidade só puxa para baixo
Duas pernas apenas não resistem a essa natureza

Que angústia! Que dor horrorosa!
Os existencialistas estão certos:
A profunda ciência da vida torna-a penosa
E isto fez de mim o próprio dejeto

Na verdade, da vida não se deve achar um padrão
Deixar o caos tornar-se natural
Ser completamente idiota
Viver sem previsões, sem rotinas
Ser livre
Livre inclusive, para morrer
Despojar-se da dor, da inteligência letal
Deixar de viver, na verdade, é deixar de sofrer

Fatídico ser
Sou o coitado que sonha
No mundo real não se dá pra viver
Sentem por mim tamanha vergonha

Explorar é fantástico
A descoberta mais ainda
Mas análogo à Lua, existem dois lados
O iluminado, apreciável e o escuro, temível
Igual quando me conheci de verdade
Não foi brilhante, nem sequer legal
Foi melancólico, obscuro, triste realidade

Sem brilho, sem orgulho
O sangue mal corre minhas veias
Meu cérebro aturdido é um entulho
Valho menos que um grão de areia

Já passei da hora
Estou doido para ir embora
Não posso mesmo ficar aqui
Isso tem que ser agora

Troco a noite pelo dia
À madrugada, vida se possui abundantemente
É nela, ao menos, que sei que respiro
Que, vivo! Ouço meu coração pulsar
Me animam, estes fúteis eventos
Trocaria também isso tudo por um túmulo
Visto que ninguém iria incomodar a um sucumbido
Extinguir o silêncio, abortar a paz, daquele que jaz, seria o cúmulo

Que seja suave como uma brisa
Leve como uma pluma
A plataforma bem firme e lisa
Para que não haja dor nenhuma

O caminho para a glória é difícil é estreito
Logo, para a desgraça é livre, espaçoso
Não deveria haver sofrimento para se conseguir algo, qualquer coisa
Muito menos à felicidade
Caminhar por onde se quer eis a maior delas
Tudo o mais é incitação ao medo e à barbaridade

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Além do inferno de Dante

Queria que o “inferno de Dante” fosse real
Mas será que não é de fato?
(Assim como existe um céu chato)
Se ele realmente existe
Logo terá quem o visite
Eu sou humano
Humano é imperfeito
Humano cria e também mata
Mulheres e homens têm defeitos
Há arma de fogo, veneno e faca
Não matamos somente a nós mesmos
O abstrato também some em nossas mãos
Destrói-se tudo, até o que não existe
Temos o poder de mudar as coisas
A felicidade em tristeza
O quente em frieza
O oprimido em opressor
Transformamos também
A vida em morte
O lento em pressa
O amor em sorte
E vice-versa
Eu torço para que chegue um dia
E que transformemo-nos em diabo
No inferno sintamos o calor
o fedor, o horror, o revés ao nosso lado
A humanidade falhou, definitivamente
Só uma coisa a ser feita foi esquecida
Desde a sedução lançada pela serpente
Neste mundo, amar, parece obra de suicida
É difícil, penoso, gostar do próximo
Ter apreço e afeição é doloroso
É mais fácil matar, destruir, viver no ócio
À andar para frente como um irmão atencioso
O mundo sempre esteve em guerra
Humanos contra si mesmos
Também contra os animais, a Terra
Até contra o ar que respiramos
O inferno é logo ali, devemos fazer lá nossa morada
(Se o inferno já não for aqui neste mundo)
Pois a maldade aqui é alta e refinada
de deixar o diabo inútil, moribundo
Na verdade o “inferno de Dante” existe sim
E estamos vivendo nele
somos parte dele
As flores nunca existiram
O Sol nunca brilhou
A Lua é uma imensa bola de gelo
A vida ideal na Terra, na verdade, nunca vingou

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Jazz



O ambiente sereno se torna
Ao suave som aprazível que domina
A mente voa madrugada afora
Apesar do frio a música é o clima

As madrugadas são as melhores
Ela produz um prazeroso silêncio profundo
O tenro sereno é quem me acolhe
Momento em que me desligo do mundo

Nessas noites sou mais atrativo
Apesar do meu coração cativo
Preso às platônicas paixões
Ainda assim sinto-me vivo

Nesta atmosfera não existe riqueza
Muito menos pobreza
Também não há vida, porque não há morte
Sublimemente há apenas uma natureza

Voando alto ou rés
Batendo asas ou com os pés
É inexplicável como um gosto musical
É atraente e sutil como música de Jazz

Algo que não se pode explicar
Muitos podem dizer que é Deus
Nota-se que é tão simples e peculiar
Tão real e próximo ao que é meu 

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Com o temer...

O pavor venceu a esperança
O surto faz parte do improviso
O que será dos idosos e das crianças
Num mundo onde não há mais um sorriso

O que devemos temer?
A noite escura?
O novo amanhecer?
É depressão ou tudo frescura?

O que nos preocupa?
A ansiedade, a loucura?
Em quem pôr a culpa?
No vírus ou remédio que não cura?


O verdadeiro malfeitor sorri
Nao conseguem achá-lo
O coração há de partir
A verdade escoa pelo ralo


Quem está preso é livre
E quem está na rua detento é
O primeiro sabe mais que o detetive
O segundo anda com correntes no pé


O individualismo no solo pisa firme
Esmaga povos e seus frutos
Nao é ficção, nem novela ou filme
É a triste realidade dos brutos


Não dê tiros, dê flores
Não grite, recite amores
Pense no próximo antes de ti
Evite gerar grandes dores

sábado, 22 de julho de 2017

Pobre rico amor

Eu queria lhe dar tudo
Jóias, carros, iates, mansões
Por você morreria, mudaria o mundo
Mas nada posso além de algumas palavras e canções

Elas brilham mais que diamantes
Que o ouro valem muito mais
Eis o mais perfeitos dos amantes
Um pobre e sonhador rapaz

É como uma estrela o meu amor
Por ti irradia intensa luz e calor
Um brilho que vive mesmo após seu fim
Depois de anos e anos de esplendor

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Quando ele vem...


Quando vem, é de mansinho
Vem de longe, sem avisar
Tapando o Sol, redemoinhos
Não vejo a hora de ele chegar


Flocos de neve
Manto de nuvem, friagem
Dia cinza muito breve
Noite longa, sem estiagem


Do alto da montanha há uma prévia
Chega devagar, da o tom, anuncia
Mesmo a noite vê-se sua névoa
O frio traz sua fantasia


O frio, a chuva, esse clima
Gotas na janela, alta umidade
A serra manda o recado lá de cima
Banhando de prata toda a cidade


O inverno não pode ser diferente
A temperatura cai carentes ficamos
Ansiamos sempre por um corpo quente
Faz-nos aproximar de quem amamos